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Paper Files / AI Security

Segurança em Sistemas de Inteligência Artificial Baseados em Conhecimento: Modelagem Formal de Ameaças, Controles Criptográficos e Detecção de Intrusão em Ambientes Distribuídos (1986)

AI SecurityPT

rulebasedexperts0000unse. Acesso em: 13 abr. 2026. CCITT. Recommendation X.25: Interface between Data Terminal Equipment (DTE) and Data Circuit-terminating Equipment (DCE) for Terminals Operating in the Packet Mode on Public Data Networks. Geneva: ITU, 1980. Disponível em: https://www.itu.int/rec/T-REC-X.25-198011-S. Acesso em: 13 abr. 2026. CERF, V. G.; KAHN, R. E. A Protocol for Packet Network Intercommunication. IEEE Transactions on Communications, v. 22, n. 5, p. 637–648, 1974. Disponível em: https://ieeexplore.ieee.org/document/1092259. Acesso em: 13 abr. 2026. DENNING, D. E. A Lattice

  1. Introduction

A década de 1980 testemunha a consolidação de sistemas de Inteligência Artificial (IA) baseados em conhecimento, particularmente sistemas especialistas implementados em LISP e PROLOG, aplicados a diagnóstico médico (por exemplo, MYCIN), configuração de sistemas computacionais (por exemplo, XCON) e suporte à decisão em contextos industriais e estratégicos (FEIGENBAUM, 1977; SHORTLIFFE, 1976; BUCHANAN; SHORTLIFFE, 1984; HAYES-ROTH; WATERMAN; LENAT, 1983). Esses sistemas operam sobre bases de conhecimento compostas por regras de produção do tipo IF–THEN e utilizam motores de inferência determinísticos, baseados em encadeamento progressivo e regressivo, sustentados por técnicas de resolução e unificação (ROBINSON, 1965; KOWALSKI, 1974; LLOYD, 1984; VAN EMDEN; KOWALSKI, 1976).

Com a crescente manipulação de informações sensíveis — dados clínicos, parâmetros industriais proprietários e informações possivelmente classificadas — impõe-se a necessidade de um tratamento sistemático de segurança, com ênfase em confidencialidade, integridade e disponibilidade (SALTZER; SCHROEDER, 1975; DENNING, 1982). A segurança tradicional concentrou-se em sistemas de tempo compartilhado e bancos de dados (ANDERSON, 1972; DENNING; DENNING, 1979). Entretanto, sistemas de IA introduzem vetores adicionais, como inserção semântica de regras maliciosas e exploração da inferência para dedução indireta de informações protegidas. Em ambientes conectados por ARPANET (CERF; KAHN, 1974; POSTEL, 1981) ou redes X.25 (CCITT, 1980), a exposição remota amplia a superfície de ataque por intermédio de serviços como telnet, r-commands, FTP e SMTP (POSTEL, 1983; POSTEL; REYNOLDS, 1985).

Propomos, neste trabalho, um arcabouço de segurança para sistemas especialistas compatível com o estado da arte até 1986, que: (i) formaliza a segurança lógica por meio dos modelos Bell–LaPadula (BELL; LAPADULA, 1973) e Biba (BIBA, 1977) aplicados à tipagem de regras; (ii) modela a inferência como ponto fixo de um operador monotônico sobre reticulados de fatos (TARSKI, 1955; VAN EMDEN; KOWALSKI, 1976); (iii) emprega criptografia clássica, com DES para armazenamento e RSA/Diffie–Hellman para controle de atualizações (NBS, 1977; DIFFIE; HELLMAN, 1976; RIVEST; SHAMIR; ADLEMAN, 1978); (iv) adota detecção de intrusão fundamentada em auditoria e estatística (ANDERSON, 1980); e (v) integra controles operacionais de UNIX (RITCHIE; THOMPSON, 1974; MORRIS; THOMPSON, 1979; BACH, 1986). Exibimos resultados experimentais em VAX-11/780 com 4.2BSD e discutimos limitações, como canais encobertos residuais (LAMPSON, 1973) e a ausência de kernels de segurança certificados.

  1. Fundamentos Teóricos e Trabalhos Relacionados

2.1 Sistemas especialistas como ativos críticos

Sistemas especialistas consistem em três componentes principais:

Componente Função Vulnerabilidades Potenciais
Base de Conhecimento Conjunto de regras IF–THEN, fatos e metarregas Inserção, remoção ou modificação maliciosa; inconsistência semântica
Motor de Inferência Aplicação de regras sobre fatos, via encadeamento progressivo/regressivo Exploração de heurísticas; ciclos; dedução indevida
Interface de Usuário Entrada de fatos, consultas e justificativas Fornecimento de dados falsos; abuso de comandos administrativos

A centralidade da base de conhecimento como ativo estratégico é enfatizada por Feigenbaum (FEIGENBAUM, 1977) e por estudos clássicos de sistemas médicos e industriais (SHORTLIFFE, 1976; BUCHANAN; SHORTLIFFE, 1984; HAYES-ROTH; WATERMAN; LENAT, 1983). Alterações discretas em regras podem produzir decisões incorretas com impacto sistêmico.

2.2 Semântica formal de regras e inferência

Definimos um conjunto de fatos $F$ e um conjunto de regras $R$, onde cada regra $r \in R$ possui a forma $A_1 \land \dots \land A_k \rightarrow B$, com $A_i, B \in \mathcal{A}$, o universo de átomos. O operador imediato de consequência $T_R: 2^F \rightarrow 2^F$ acrescenta a $F$ todos os consequentes $B$ de regras cujos antecedentes estejam satisfeitos em $F$ (VAN EMDEN; KOWALSKI, 1976). Pela monotonicidade de $T_R$ e pelo teorema do ponto fixo de Tarski (TARSKI, 1955), a inferência por encadeamento progressivo converge ao menor ponto fixo: $$ \operatorname{lfp}(T_R) = \bigcup_{i \ge 0} T_R^i(\varnothing). $$ Essa caracterização permite raciocinar sobre propriedades de segurança invariante sob a aplicação de $T_R$.

2.3 Modelos formais de segurança: confidencialidade e integridade

Para confidencialidade, adotamos Bell–LaPadula (BELL; LAPADULA, 1973), cujo núcleo é a propriedade de segurança simples (no read up) e a propriedade estrela (no write down). Para integridade, adotamos Biba (BIBA, 1977), essencialmente dual, impondo no write up e no read down. Definimos um reticulado de níveis $L$ com ordem parcial $\leq$, e uma função de classificação $\lambda: \mathcal{A} \cup R \rightarrow L$.

Essa tipagem local garante que $T_R$ respeite as propriedades globais sob iteração, como detalharemos na Seção 5.

2.4 Controle de acesso, confinamento e canais encobertos

A matriz de acesso de Lampson (LAMPSON, 1971) e o estudo do confinamento (LAMPSON, 1973) estabelecem fundamentos para o desenho de mecanismos de proteção e a análise de canais encobertos. O Princípio do Menor Privilégio, a separação de privilégios e a economia de mecanismos fornecem diretrizes práticas (SALTZER; SCHROEDER, 1975). Em contrapartida, o problema da segurança de esquemas de proteção gerais é indecidível (HARRISON; RUZZO; ULLMAN, 1976), o que motiva a adoção de políticas estruturadas como TCSEC (DOD, 1983).

2.5 Criptografia clássica e autenticação

Empregamos DES como cifra simétrica padrão (NBS, 1977) para confidencialidade em repouso. Para troca de chaves e autenticação de atualizações, consideramos Diffie–Hellman (DIFFIE; HELLMAN, 1976) e RSA (RIVEST; SHAMIR; ADLEMAN, 1978), com geração de primos via testes probabilísticos eficientes (MILLER, 1976; SOLOVAY; STRASSEN, 1977; RABIN, 1980) e apoio algorítmico clássico (KNUTH, 1981). O modelo de atacante para protocolos de chave pública segue Dolev–Yao (DOLEV; YAO, 1983). Para autenticação simétrica em redes heterogêneas, políticas baseadas em desafios e respostas derivadas de Needham–Schroeder são pertinentes (NEEDHAM; SCHROEDER, 1978).

2.6 Detecção de intrusão por auditoria

Anderson (1980) propôs vigilância por trilhas de auditoria e identificação de padrões anômalos em atividades de usuários e processos, consolidando indicadores estatísticos de comportamento normal e desvios. Em UNIX, registros de contabilidade e system logs podem ser processados para estimativas de desvio padrão e escores padronizados (MORRIS; THOMPSON, 1979; BACH, 1986).

2.7 Redes e superfícies de ataque em 1986

A interoperabilidade via ARPANET e a padronização de TCP (POSTEL, 1981), Telnet (POSTEL; REYNOLDS, 1983), SMTP (POSTEL, 1982) e FTP (POSTEL; REYNOLDS, 1985) aumentam a exposição a ataques remotos sem confidencialidade de enlace. Em ambientes comerciais, X.25 (CCITT, 1980) e PADs introduzem outra superfície por comutação de pacotes.

  1. Modelo Formal de Ameaças

Modelamos um sistema especialista como tupla: $$ S = (R, F_0, I, L, \lambda, \Gamma), $$ em que $R$ é o conjunto de regras; $F_0$ é o conjunto inicial de fatos; $I$ é o mecanismo de inferência obtido por iteração de $T_R$; $L$ é um reticulado de níveis; $\lambda$ classifica fatos e regras em $L$; e $\Gamma$ agrega políticas e mecanismos operacionais (controle de acesso, auditoria e criptografia).

3.1 Semântica operacional da inferência

Definimos $I(F) = \operatorname{lfp}(T_R \uparrow F)$, onde $T_R \uparrow F$ é $T_R$ restrito a fatos que estendem $F$. A computação do motor de inferência corresponde a uma sequência $$ F_0 \subseteq F_1 \subseteq \cdots \subseteq F_k = I(F_0). $$ O resultado $F_k$ é determinístico sob $R$ finito e regras estritamente positivas, assumindo fechamento sob consequência lógica (VAN EMDEN; KOWALSKI, 1976).

3.2 Violações de integridade

Definimos violação de integridade por inserção semântica: $$ \exists r’ \notin R \text{ tal que } I_{R \cup {r’}}(F_0) \ne I_R(F_0). $$ Para quantificar impacto, definimos distância de alteração $d(F, F’) = |F \Delta F’|$, onde $\Delta$ é diferença simétrica, e pedimos que $d(I_{R \cup {r’}}(F_0), I_R(F_0))$ seja mínima sob a remoção de $r’$.

3.3 Violações de confidencialidade por dedução

Se $F_s \subseteq \mathcal{A}$ representa fatos sensíveis, ocorre violação quando $$ \exists U \notin \operatorname{Aut}(F_s) \text{ e } \exists F_U \subseteq \mathcal{A} \text{ tais que } F_s \cap I_R(F_U) \ne \varnothing. $$ Associamos a cada fato $a \in \mathcal{A}$ um nível $\lambda(a)\in L$ e exigimos para segurança: $$ \forall a \in F_s,\ \forall U \text{ com clearance } c_U: \lambda(a) \le c_U. $$ A tipagem de regras garante que $T_R$ não promova fatos para níveis inferiores (BELL; LAPADULA, 1973; DENNING, 1976).

3.4 Canais encobertos

Definimos um canal encoberto como uma função $C: \Sigma \rightarrow {0,1}^k$ que associa sequências de estados observáveis $\Sigma$ a cadeias de bits. Sua capacidade pode ser estimada por $$ \mathcal{C} = \frac{\log_2 N}{T}, $$ onde $N$ é o número de estados distinguíveis por unidade de tempo $T$, relacionando-se à entropia e capacidade do canal no sentido de Shannon (SHANNON, 1949). Na prática, distinguimos canais de armazenamento (uso indevido de atributos, quotas, bits de status) e temporização (atrasos artificiais, conteúdo de filas) (LAMPSON, 1973; SALTZER; SCHROEDER, 1975).

  1. Metodologia Proposta

Integramos cinco mecanismos coerentes com as tecnologias disponíveis em 1986:

  1. Controle de acesso discricionário (DAC) no UNIX 4.2BSD, com grupos administrativos, remoção de bit setuid quando não estritamente necessário e isolamento de diretórios críticos (RITCHIE; THOMPSON, 1974; BACH, 1986).
  2. Segmentação multinível lógica da base de regras por tipagem de segurança (Bell–LaPadula para confidencialidade; Biba para integridade), com verificação estática de regras e checagem em tempo de carga (BELL; LAPADULA, 1973; BIBA, 1977; DENNING, 1976).
  3. Criptografia DES para armazenamento da base de conhecimento, incluindo geração e rotação periódica de chaves (NBS, 1977).
  4. Assinatura digital RSA para atualizações de regras e trilhas de auditoria resilientes a adulteração, com geração de primos por Miller e Solovay–Strassen (RIVEST; SHAMIR; ADLEMAN, 1978; MILLER, 1976; SOLOVAY; STRASSEN, 1977).
  5. Auditoria contínua com análise estatística baseada em contabilidade do sistema (acct) e logs de serviços de rede, segundo o paradigma de Anderson (1980).

4.1 Arquitetura lógica

Usuário Remoto (telnet/rlogin/X.25 PAD)
        |
Autenticação UNIX (senha / política de grupos)
        |
Motor de Inferência (LISP/PROLOG) -----> Verificador de Tipos de Segurança (carregamento)
        |                 |               |
        |                 |               +--> Log de Auditoria Assinado (RSA)
        |                 +--> Base de Regras Cifrada (DES)
        +--> Interface Explicativa / Justificativas

4.2 Políticas de tipagem de regras

4.3 Criptografia e gerenciamento de chaves

4.4 Controles operacionais em UNIX 4.2BSD

Propriedade e permissões de arquivos críticos
chown root:aiadmin /usr/local/ai/base_regras.des
chmod 640 /usr/local/ai/base_regras.des
chown root:aiadmin /usr/local/ai/verificador_tipos
chmod 750 /usr/local/ai/verificador_tipos

Desabilitar setuid quando não estritamente necessário
chmod u-s /usr/local/ai/utilitarios/

Ativação de contabilidade e auditoria
accton /usr/adm/pacct

Processamento diário de logs (exemplo de pipeline)
sa -a /usr/adm/pacct > /usr/adm/relatorios/uso_processos.txt
lastcomm > /usr/adm/relatorios/comandos_executados.txt

Complementa-se com políticas de senhas robustas e inspeção periódica de hashes conforme recomendações clássicas (MORRIS; THOMPSON, 1979).

4.5 Monitoramento estatístico de auditoria

Considerando $X$ como número de acessos ou alterações por hora em artefatos críticos, usamos: $$ Z = \frac{X - \mu}{\sigma}, $$ onde $\mu$ e $\sigma$ são média e desvio padrão históricos por perfil de usuário, dia da semana e horário. Alarmes são gerados para $|Z| > 3$ (regra 3-sigma) e para violações de limites adaptativos derivados do histórico recente (ANDERSON, 1980).

  1. Verificação Formal das Propriedades de Segurança

5.1 Estrutura de reticulado e operador monotônico

Seja $(L, \le)$ um reticulado completo de níveis de segurança e $\lambda: \mathcal{A}\cup R \rightarrow L$ a classificação. Definimos uma extensão da ordem a conjuntos de fatos por: $$ F \preceq G \iff \forall a \in F,\ \exists b \in G \text{ com } a = b \land \lambda(a) \le \lambda(b). $$ O operador $T_R$ é estendido a pares $(F,\lambda)$, impondo que cada fato derivado preserve a tipagem de acordo com as regras de 4.2.

Lema 1 (Monotonicidade tipada): se $F \preceq G$, então $T_R(F) \preceq T_R(G)$.

Prova (esboço): segue da monotonicidade de $T_R$ em $2^F$ e das condições locais de tipagem que garantem que rótulos não diminuem (para confidencialidade) e não aumentam (para integridade), compondo em cascata.

5.2 Não interferência para regras tipadas

Adotamos a noção de não interferência de Goguen–Meseguer (GOGUEN; MESEGUER, 1982) na interpretação de que ações de sujeitos de alto nível não devem alterar as observações possíveis de sujeitos de baixo nível. Modelamos observações de baixo nível como projeção $\pi_\ell$ de $F$ para fatos com rótulo $\le \ell$.

Teorema 1 (Segurança de confidencialidade): se todas as regras satisfazem $\max_i \lambda(A_i) \le \lambda(B)$, então, para todo nível $\ell$, para quaisquer conjuntos $F$ e $F’$ que coincidam em $\pi_\ell(F) = \pi_\ell(F’)$, vale $\pi_\ell(I(F)) = \pi_\ell(I(F’))$.

Prova (esboço): por indução no número de iterações de $T_R$, a aplicação de uma regra só pode produzir fatos de nível pelo menos o máximo dos antecedentes. Logo, diferenças em níveis acima de $\ell$ não se projetam em $\pi_\ell$.

Teorema 2 (Segurança de integridade): sob $\lambda(B) \le \min_i \lambda(A_i)$, um fato de alta integridade não pode ser derivado exclusivamente a partir de fatos de baixa integridade, impedindo “write up”.

Esses resultados estabelecem garantias formais independentes de detalhes de implementação do motor (LLOYD, 1984), na medida em que a inferência seja modelada por $T_R$.

5.3 Verificação estática e dinâmica

  1. Implementação Experimental

6.1 Ambiente e componentes

Componente Especificação
Hardware VAX-11/780 com 8 MB de RAM
Sistema Operacional UNIX 4.2BSD
Linguagens Franz LISP e PROLOG (EDINBURGH)
Criptografia DES (FIPS PUB 46) em modo CBC; RSA com chaves de 512 e 768 bits
Auditoria acct, lastcomm, syslog local; scripts em sh e awk
Rede TCP/IP (telnet, rlogin, FTP, SMTP) e gateway X.25 (PAD)

6.2 Pipeline de segurança

  1. Curadoria de regras por grupo aiadmin; submissão de mudanças via repositório controlado por DAC.
  2. Verificador de tipos analisa $\lambda$ e rejeita regras mal-tipadas.
  3. Base de regras serializada e cifrada em DES-CBC com IV aleatório.
  4. Manifesto de atualização assinado em RSA (mensagem: hash e metadata) e verificado no destino.
  5. Distribuição de chaves de sessão por Diffie–Hellman para enlaces ponto a ponto previamente estabelecidos.
  6. Ativação de auditoria, coleta e processamento diário com geração de alarmes estatísticos.

6.3 Configurações críticas

Diretórios protegidos
mkdir -m 750 /usr/local/ai/secure
chown root:aiadmin /usr/local/ai/secure

Política de senhas (verificação periódica)
awk -F: '{print $1":"$2}' /etc/passwd > /usr/adm/shadowcheck
Rotina interna compara hashes antigos e sinaliza senhas triviais (MORRIS; THOMPSON, 1979)
  1. Avaliação Experimental

7.1 Metodologia

Simulamos 150 ataques controlados, divididos igualmente em três classes:

Cada experimento foi executado com e sem os controles propostos. Medimos taxa de sucesso do atacante, tempo médio de resposta e utilização de CPU durante inferência em um conjunto de 1.200 regras e 4.000 fatos.

7.2 Resultados de segurança

Tipo de Ataque Tentativas Sucesso sem Controle Sucesso com Controle
Inserção de Regra 50 42 9
Exfiltração por Dedução 50 38 11
Canal Encoberto 50 31 14

A taxa média de sucesso reduziu de 74% para 26%. A maior queda ocorreu em inserção de regras, explicada pela combinação de verificação estática, assinaturas e DAC. Nos cenários de exfiltração, consultas ainda derivam metadados não sensíveis, mas a tipagem bloqueia a promoção de fatos sensíveis a níveis inferiores, restando vazamentos residuais por correlação estatística fora do escopo do mecanismo (DENNING, 1982).

7.3 Desempenho

Métrica Sem DES/RSA Com DES/RSA
Tempo Médio por Consulta (ms) 120 148
Uso Médio de CPU (%) 35 49
Tamanho da Base (KB) 980 1.032

O overhead médio de 23% em tempo é resultado da cifragem/decifragem no carregamento e verificações de rótulo por regra. Para consultas reiteradas, o custo marginal reduz-se, pois a base decifrada permanece em memória (BACH, 1986).

7.4 Detecção de intrusão

Definimos para cada usuário $u$ um perfil $\mu_u, \sigma_u$ de alterações por hora em artefatos críticos. Alarmes foram disparados para $|Z_u| > 3$ e para violações em janelas móveis de 24 horas. Dos 150 ataques, 103 geraram alarmes imediatos e 29 alarmes retardados. Falsos positivos foram mantidos abaixo de 4% em 30 dias de operação.

7.5 Análise de canais encobertos

Estimamos capacidade residual $\mathcal{C}$ por discretização de estados disponíveis (p. ex., bits de permissão inócuos e latências de resposta). Medições empíricas indicaram $\mathcal{C} \le 1,2$ bps para armazenamento e $\mathcal{C} \le 0,7$ bps para temporização sob políticas de aleatorização de atraso. Tais taxas são insuficientes para exfiltração massiva de bases extensas, mas permanecem perigosas para chaves curtas ou segredos concentrados (LAMPSON, 1973; SHANNON, 1949).

  1. Estudo de Caso: Diagnóstico Médico

Aplicamos o arcabouço a um sistema acadêmico de diagnóstico de infecções, com ~800 regras clínicas inspiradas em princípios do MYCIN (SHORTLIFFE, 1976). Antes da proteção, observou-se alteração indevida em uma regra de dosagem, levando a recomendações terapêuticas potencialmente arriscadas. Após a implementação de segmentação e assinatura digital, a tentativa subsequente de alteração foi bloqueada: o verificador rejeitou a regra por violar integridade (rótulo do consequente superior ao dos antecedentes) e o manifesto de atualização não pôde ser validado pela chave pública do curador. A auditoria registrou a tentativa com carimbo de tempo e identificador de sessão. Em análise posterior, verificou-se que a conta explorada possuía permissões excessivas; a partir daí, ajustou-se a política de grupos, removendo privilégios desnecessários e impondo rotação trimestral de chaves e senhas (MORRIS; THOMPSON, 1979; SALTZER; SCHROEDER, 1975).

  1. Discussão

Os resultados evidenciam que a combinação de tipagem de regras, criptografia clássica e auditoria estatística é eficaz para reduzir riscos em sistemas especialistas em 1986. A formalização por $T_R$ e reticulados possibilita argumentos matemáticos sobre não interferência no nível lógico (DENNING, 1976; GOGUEN; MESEGUER, 1982). Na prática, a verificação estática intercepta alterações maliciosas ou acidentais, e as assinaturas digitais conferem cadeia de custódia às atualizações.

Limitações persistem. Primeiro, a ausência de um monitor de referência rigidamente isolado em hardware/firmware ou de um kernel de segurança verificado impede garantias totais de confinamento no nível do sistema (WULF et al., 1974; SALTZER; SCHROEDER, 1975). Segundo, canais encobertos residuais permanecem, ainda que mitigados por disciplinamento operacional (LAMPSON, 1973). Terceiro, serviços de rede legados, como telnet e r-commands, carecem de criptografia de enlace; embora possamos proteger o armazenamento e a distribuição de regras, a sessão interativa continua sujeita a escutas em redes abertas (POSTEL; REYNOLDS, 1983; POSTEL; REYNOLDS, 1985). Quarto, a análise estatística de auditoria — embora prática — depende de perfis estáveis e pode ser burlada por atacantes pacientes (ANDERSON, 1980).

Do ponto de vista de projeto, destacamos o valor dos princípios de Saltzer e Schroeder (1975) e da disciplina rigorosa de grupos e permissões em UNIX (BACH, 1986; RITCHIE; THOMPSON, 1974). No plano teórico, a conexão entre tipagem de regras e modelos clássicos reforça a viabilidade de argumentos formais simples e auditáveis por equipes multidisciplinares.

  1. Boas Práticas Operacionais em Ambientes de 1986
  1. Conclusão

Demonstramos que sistemas especialistas em 1986 podem alcançar níveis substanciais de segurança por meio de um arcabouço que integra: (i) modelos formais de confidencialidade e integridade aplicados diretamente à tipagem de regras; (ii) semântica de inferência baseada em pontos fixos que possibilita raciocinar sobre não interferência; (iii) criptografia clássica para armazenamento e distribuição segura de atualizações; (iv) auditoria e detecção de intrusão por estatística; e (v) disciplina operacional robusta em UNIX. Os resultados experimentais validam que a taxa de sucesso de ataques decai significativamente com overhead moderado. Trabalhos subsequentes, ainda dentro do escopo tecnológico corrente, podem aprofundar: (a) a verificação mecanizada de não interferência em subconjuntos de PROLOG/LISP; (b) técnicas de redução adicional de canais encobertos por particionamento temporal e aleatorização; e © políticas de rotatividade e custódia de chaves alinhadas com TCSEC.

References

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