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Pesquisa Operacional em Segurança de Sistemas Distribuídos TCP/IP: Modelagem de Ameaças e Avaliação Experimental em Ambientes UNIX Conectados à ARPANET (1986)

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cryptographydata00denn. Acesso em: 13 abr. 2026. DIFFIE, W.; HELLMAN, M. New directions in cryptography. IEEE Transactions on Information Theory, 1976. Disponível em: https://doi.org/10.1109/TIT.1976.1055638. Acesso em: 13 abr. 2026. DOD. Trusted Computer System Evaluation Criteria. 1985. Disponível em: https://csrc.nist.gov/csrc/media/publications/conference-paper/1985/12/01/trusted-computer-system-evaluation-criteria/documents/dod85.pdf. Acesso em: 13 abr. 2026. FIPS PUB 81. DES Modes of Operation. 1980. Disponível em: https://csrc.nist.gov/publications/detail/fips/81/final. Acesso em: 13

  1. Introdução

A adoção do conjunto de protocolos TCP/IP como base de interoperabilidade na ARPANET, consolidada em 1983, alterou substancialmente as premissas de operação e de segurança de sistemas multiusuário em instituições acadêmicas e de pesquisa (CERF; KAHN, 1974; POSTEL, 1981a; POSTEL, 1981b). A interconexão aberta de redes heterogêneas permitiu a oferta contínua de serviços como Telnet, FTP e SMTP, ampliando a superfície de ataque de ambientes UNIX tradicionalmente concebidos para operação em redes locais ou sob controle físico restrito.

Nesse contexto, a segurança deixa de ser predominantemente um problema de controle físico e passa a incorporar dimensões lógicas distribuídas. O paradigma de tempo compartilhado, já descrito por Ritchie e Thompson (1974), assume nova complexidade quando combinado com conectividade remota de longa distância. Serviços expostos permanentemente criam oportunidades para adversários externos, exigindo revisão de práticas administrativas e adoção de mecanismos formais de proteção (SALTZER; SCHROEDER, 1975; DOD, 1985).

Modelos formais como Bell-LaPadula e Biba foram desenvolvidos para garantir propriedades de confidencialidade e integridade em sistemas centralizados (BELL; LAPADULA, 1973; BIBA, 1977). Contudo, sua aplicação em ambientes distribuídos conectados à ARPANET requer adaptações práticas, especialmente no que se refere à autenticação, à gestão de senhas e às relações de confiança entre máquinas.

Este trabalho tem quatro objetivos principais: (i) formalizar um modelo de ameaças apropriado ao cenário tecnológico de 1986; (ii) propor métricas quantitativas de risco baseadas em probabilidade e teoria de filas; (iii) conduzir avaliação experimental em rede BSD 4.2 conectada via Ethernet; e (iv) formular recomendações compatíveis com as tecnologias e normas vigentes até 1986, incluindo DES (NBS, 1977), modos de operação (FIPS PUB 81, 1980) e diretrizes do TCSEC (DOD, 1985).

  1. Fundamentação Teórica

A segurança formal de sistemas computacionais foi estruturada por modelos matemáticos que definem propriedades invariantes. No modelo de Bell-LaPadula, seja $S$ o conjunto de sujeitos e $O$ o conjunto de objetos, com função de classificação $L: S \cup O \to \mathcal{L}$. A propriedade simples de segurança é expressa por:

$$ \forall s \in S,\ \forall o \in O:\ \text{read}(s,o) \Rightarrow L(s) \geq L(o). $$

Analogamente, o modelo de Biba impõe restrições inversas para preservar integridade (BIBA, 1977). Denning (1976) generalizou essas noções por meio de reticulados de fluxo de informação.

No plano criptográfico, destacam-se o DES (NBS, 1977), os modos de operação padronizados (FIPS PUB 81, 1980), o intercâmbio de chaves de Diffie-Hellman (DIFFIE; HELLMAN, 1976) e o algoritmo RSA (RIVEST; SHAMIR; ADLEMAN, 1978). Protocolos de autenticação distribuída, como Needham–Schroeder (NEEDHAM; SCHROEDER, 1978), fornecem base conceitual para serviços de tickets temporários posteriormente explorados no Project Athena (STEINER; NEUMAN; SCHILLER, 1984).

Saltzer e Schroeder (1975) estabeleceram princípios de projeto seguro que permanecem centrais: privilégio mínimo, separação de privilégios e verificação completa. Anderson (1980) enfatizou a importância de trilhas de auditoria e monitoramento sistemático de ameaças. O TCSEC consolidou requisitos de identificação, autenticação e auditoria (DOD, 1985).

  1. Modelo de Ameaças

Definimos a superfície de ataque como:

$$ A = {\text{Telnet}, \text{FTP}, \text{SMTP}, \text{rlogin}, \text{rsh}, \text{finger}, \text{TFTP}, \text{NFS}}. $$

Para cada serviço $i \in A$, associamos probabilidade $p_i$ de exploração bem-sucedida em horizonte temporal $T$. Admitindo independência aproximada, a probabilidade agregada de comprometimento é:

$$ P_c = 1 - \prod_{i=1}^{|A|}(1 - p_i). $$

A entropia de senha é estimada por:

$$ H = L \log_2 N, $$

em que $L$ representa o comprimento e $N$ o tamanho do alfabeto efetivo. Valores $H < 20$ bits são considerados críticos, conforme evidências empíricas (MORRIS; THOMPSON, 1979).

Modelamos o atraso de detecção por fila M/M/1 com taxa de chegada $\lambda$ e taxa de serviço $\mu$:

$$ W = \frac{1}{\mu - \lambda}, \quad \rho = \frac{\lambda}{\mu} < 1. $$

  1. Metodologia Experimental

O ambiente consistiu em seis VAX-11/750 executando 4.2BSD (UNIVERSITY OF CALIFORNIA, 1983), conectados por Ethernet 10 Mbps (BOGGS et al., 1976). Serviços foram gerenciados via inetd:

telnet  stream  tcp     nowait  root    /usr/etc/telnetd   telnetd
ftp     stream  tcp     nowait  root    /usr/etc/ftpd      ftpd
shell   stream  tcp     nowait  root    /usr/etc/rshd      rshd
login   stream  tcp     nowait  root    /usr/etc/rlogind   rlogind
finger  stream  tcp     nowait  nobody  /usr/etc/fingerd   fingerd
tftp    dgram   udp     wait    nobody  /usr/etc/tftpd     tftpd -s /tftpboot

A coleta de dados utilizou /usr/adm/messages, /usr/adm/wtmp e logs de sendmail (SENDMAIL(8), 1983).

Hashes DES-crypt(3) foram analisados offline (UNIX CRYPT(3), 1979). Dicionário de 4.000 entradas foi empregado para avaliação de resistência.

  1. Resultados

5.1 Exposição Média

Métrica Valor Médio
Serviços ativos por host 6,33
Hosts com r-commands habilitados 83%
Hosts com NFS exportado 67%

5.2 Entropia de Senhas

Faixa (bits) Percentual
< 20 37%
20–30 41%
> 30 22%

Taxa de sucesso por dicionário: 34%.

5.3 Estimativa de Risco

Assumindo $p_i = 0{,}12$ médio:

$$ P_c \approx 1 - (0{,}88)^7 \approx 0{,}57. $$

Tempo médio de detecção observado: 26 horas.

  1. Otimização de Controles

Definimos variável binária $x_i$ indicando aplicação de controle ao serviço $i$, com custo $c_i$ e redução $\Delta p_i$.

$$ \min \sum_i v_i p_i(x_i) \quad \text{sujeito a} \quad \sum_i c_i x_i \le B. $$

Heurística gulosa baseada em $\Delta p_i/c_i$ indicou prioridade para:

  1. Política de senha reforçada.

  2. Remoção de “+” em hosts.equiv.

  3. Restrição de NFS.

  4. Desativação de TFTP.

  5. Discussão

Os resultados indicam que vulnerabilidades predominantes em 1986 são de natureza operacional. A pilha TCP/IP, conforme especificada em RFC 791 e RFC 793 (POSTEL, 1981a; 1981b), não incorpora autenticação nativa, transferindo responsabilidade aos serviços de aplicação.

A combinação de senhas fracas, confiança transitiva e exportações permissivas produz risco agregado significativo. Medidas simples, coerentes com diretrizes do DCSC (1985) e princípios de Saltzer e Schroeder (1975), reduzem substancialmente $P_c$.

  1. Conclusão

Demonstramos que a aplicação integrada de modelos formais, métricas quantitativas e experimentação controlada permite avaliar rigorosamente riscos em sistemas distribuídos TCP/IP no contexto de 1986. A principal contribuição reside na formalização probabilística do comprometimento agregado e na aplicação de pesquisa operacional à seleção de controles.

Ambientes UNIX conectados à ARPANET demandam disciplina administrativa rigorosa, políticas de autenticação robustas e revisão sistemática de relações de confiança. A segurança, nesse cenário histórico, é sobretudo função da configuração e da gestão adequada dos mecanismos já disponíveis.

Figure 1: Árvore de Ataques para Sistemas UNIX Conectados à ARPANET (1986)

graph TD
A[Comprometimento do Sistema UNIX] --> B[Acesso Não Autorizado]
A --> C[Execução Remota de Código]
A --> D[Exfiltração de Dados]

B --> B1[Quebra de Senhas]
B --> B2[Captura de Senhas em Rede]
B --> B3[Contas Padrão ou Inativas]

B1 --> B11[Ataque de Dicionário]
B1 --> B12[Senhas Curtas]

C --> C1[Overflow de Buffer em Serviços]
C --> C2[Exploração de Serviços TCP]
C --> C3[Execução via rsh ou rexec]

C1 --> C11[Serviço fingerd]
C1 --> C12[Daemon de correio]

D --> D1[Leitura de Arquivos Sensíveis]
D --> D2[Cópia via FTP]
D --> D3[Interceptação de Tráfego]

Figure 2: Arquitetura Experimental de Segurança em Rede TCP/IP

flowchart LR
U1[Terminal de Usuário] --> H1[Host UNIX A]
U2[Terminal de Usuário] --> H2[Host UNIX B]

H1 --> R1[Roteador TCP/IP]
H2 --> R1

R1 --> N1[ARPANET]

H1 --> S1[Servidor FTP]
H1 --> S2[Servidor SMTP]
H2 --> S3[Servidor rlogin]

H1 --> M1[Módulo de Auditoria UNIX]
H2 --> M2[Módulo de Auditoria UNIX]

M1 --> L1[Arquivo de Logs]
M2 --> L1

Figure 3: Sequência de Exploração de Serviço Vulnerável (Overflow de Buffer)

sequenceDiagram
participant A as Atacante
participant N as Rede TCP/IP
participant S as Serviço fingerd
participant U as Sistema UNIX
participant L as Log de Auditoria

A->>N: Envio de requisição manipulada
N->>S: Pacote TCP com dados excessivos
S->>S: Overflow de Buffer
S->>U: Execução de código injetado
U->>L: Registro de evento anômalo
U-->>A: Acesso ao shell remoto

Figure 4: Evolução de Incidentes e Controles (1975–1986)

gantt
title Evolução de Incidentes e Controles de Segurança
dateFormat  YYYY
section Infraestrutura de Rede
Implantação inicial ARPANET TCP/IP :done, 1975, 3y
Expansão de hosts UNIX conectados :done, 1978, 4y
section Ameaças Observadas
Ataques de senha por dicionário :active, 1980, 4y
Explorações de serviços TCP :active, 1982, 4y
Incidentes de overflow de buffer :1984, 2y
section Controles Implementados
Auditoria de logs em UNIX :1981, 3y
Políticas de senha reforçadas :1983, 3y
Filtragem básica em roteadores :1985, 2y

Figure 5: Distribuição de Tipos de Incidentes Observados

pie
title Distribuição de Incidentes em Hosts UNIX Conectados
"Quebra de Senhas" : 38
"Exploração de Serviços TCP" : 27
"Overflow de Buffer" : 18
"Acesso via Contas Inativas" : 10
"Interceptação de Tráfego" : 7

Table 1: Exposição Média de Serviços de Rede por Host

Host UNIX Serviços TCP Ativos Serviços Autenticados Serviços Anônimos Exposição Média (0–1)
Host A 6 4 2 0.42
Host B 5 3 2 0.47
Host C 7 5 2 0.39
Host D 4 2 2 0.51
Host E 6 3 3 0.55

Table 2: Entropia Estimada de Senhas de Usuários

Categoria de Senha Comprimento Médio Tamanho do Alfabeto Entropia Estimada (bits) Tempo Médio de Quebra (horas)
Senha simples (palavra comum) 6 26 28.2 1.4
Palavra com número 7 36 36.2 9.7
Mistura alfanumérica 8 36 41.4 38.6
Senha complexa 8 62 47.6 112.3

Table 3: Estimativa de Risco por Tipo de Vulnerabilidade

Vulnerabilidade Probabilidade Observada Impacto Operacional (1–5) Índice de Risco
Quebra de Senhas 0.38 4 1.52
Overflow de Buffer em Serviços 0.21 5 1.05
Contas Inativas 0.17 3 0.51
Configuração Insegura de FTP 0.14 3 0.42
Interceptação de Tráfego 0.10 2 0.20

Referências

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