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Paper Files / IR

Orquestração Adaptativa de Resposta a Incidentes Baseada em Telemetria Multicamadas e Modelagem Formal de Adversários

IRPT

A crescente sofisticação de campanhas de intrusão observadas até 2019, incluindo operações de ransomware como WannaCry (2017), NotPetya (2017) e Ryuk (2018), evidenciou limitações estruturais dos processos tradicionais de Resposta a Incidentes (Incident Response – IR). Embora frameworks consolidados, como o NIST SP 800-61 Rev.2, estabeleçam diretrizes processuais claras, permanece uma lacuna quanto à formalização quantitativa da priorização de incidentes em ambientes caracterizados por telemetria heterogênea e alta volumetria de eventos. Neste trabalho, propomos um modelo formal para orquestração adaptativa de IR fundamentado em inferência bayesiana e integração multicamadas de telemetria proveniente de rede, endpoint e memória volátil. Modelamos o processo decisório como um problema de minimização do tempo esperado de contenção, sob restrições operacionais e considerando a dinâmica de adversários modelados segundo a matriz MITRE ATT&CK. A arquitetura proposta integra Suricata, Elastic Stack 7.x, Wazuh, Volatility 2 e YARA, coordenados por plataforma SOAR compatível com práticas DevSecOps emergentes até 2019. Avaliamos experimentalmente a abordagem em ambiente virtualizado com 120 máquinas virtuais, utilizando os conjuntos de dados CIC-IDS2017 e CTU-13, além de cadeias de ataque simuladas baseadas em técnicas T1059, T1003 e T1486. Os resultados indicam redução estatisticamente significativa de 47,3% no MTTD e 38,9% no MTTR em comparação com baseline baseado em correlação estática de SIEM. Demonstramos ainda que a incorporação de análise de memória e priorização probabilística reduz a taxa de falsos positivos e aumenta a eficiência operacional do SOC. Concluímos que a formalização matemática da priorização, aliada à orquestração automatizada e telemetria integrada, constitui abordagem viável e eficaz no contexto tecnológico e organizacional de 2019.

  1. Introduction

A Resposta a Incidentes (Incident Response – IR) constitui o núcleo operacional da defesa cibernética contemporânea. Estruturas normativas como o NIST SP 800-61 Rev.2 (CICHONSKI et al., 2012) definem fases bem estabelecidas de preparação, detecção e análise, contenção, erradicação e recuperação. Contudo, tais modelos são predominantemente procedimentais e carecem de formalização quantitativa explícita para priorização dinâmica de incidentes em ambientes complexos.

Entre 2017 e 2018, campanhas como WannaCry, NotPetya e Ryuk demonstraram a capacidade de propagação lateral rápida, uso de técnicas “living-off-the-land” e monetização via criptografia de dados (GREENBERG, 2018; EUROPOL, 2018). Relatórios da indústria até 2019 apontavam tempos médios de permanência (dwell time) superiores a semanas em diversos setores (MANDIANT, 2019), evidenciando limitações na detecção precoce.

Paralelamente, a consolidação da matriz MITRE ATT&CK (STROM et al., 2018) proporcionou taxonomia estruturada de táticas e técnicas adversárias, incluindo T1059 (Command and Scripting Interpreter), T1003 (OS Credential Dumping) e T1486 (Data Encrypted for Impact). Ainda assim, a maior parte dos SIEMs operava com correlação baseada em regras estáticas, frequentemente vulnerável à falácia da taxa-base (AXELSSON, 2000).

Formulamos as seguintes questões de pesquisa:

Nossas contribuições são:

  1. Background and Related Work

O NIST SP 800-61 Rev.2 (CICHONSKI et al., 2012) define processos de IR, mas não formaliza métricas probabilísticas de decisão. A Cyber Kill Chain (HUTCHINS; CLOPPERT; AMIN, 2011) introduziu visão sequencial do ciclo de ataque. A matriz MITRE ATT&CK expandiu essa abordagem para representação matricial de técnicas (STROM et al., 2018).

Do ponto de vista matemático, modelamos um incidente como conjunto de eventos $E = {e_1, \dots, e_n}$ provenientes de fontes $S = {s_1, \dots, s_m}$. Seja $C$ a variável aleatória binária representando comprometimento. A probabilidade posterior é:

$$ P(C|E) = \frac{P(E|C) P©}{P(E)}. $$

Axelsson (2000) demonstra que, mesmo com alta sensibilidade, IDS sofrem com baixa prevalência real de ataques. Sommer e Paxson (2010) alertam para limitações de abordagens puramente baseadas em aprendizado de máquina sem contexto operacional.

Ferramentas amplamente utilizadas até 2019 incluem Suricata (OISF, 2019), Elastic Stack 7.x (ELASTIC, 2019), Wazuh (WAZUH, 2019), Volatility 2 (LIGH et al., 2014) e YARA (ALVAREZ, 2019). A linguagem Sigma emergiu como padrão aberto para regras SIEM (SIGMAHQ, 2019).

  1. Threat Model and Problem Formalization

Assumimos adversário $A$ com capacidades consistentes com campanhas de 2017–2018:

Modelamos a infraestrutura como grafo $G = (V, E)$, onde $V$ são hosts e $E$ conexões autenticadas.

O adversário maximiza função de impacto $I(A)$ sujeita a probabilidade de detecção $D(A)$. Nosso objetivo é minimizar o tempo esperado de contenção $T_c$:

$$ \min_{\pi} \mathbb{E}[T_c \mid \pi], $$

onde $\pi$ representa política de priorização.

Definimos escore de risco:

$$ R = \sum_{i=1}^{n} w_i \cdot P(e_i | C), $$

com pesos $w_i$ derivados de criticidade da técnica segundo ATT&CK.

  1. Proposed Methodology

A arquitetura contém quatro camadas:

  1. Coleta de Telemetria.
  2. Normalização e Enriquecimento.
  3. Motor Probabilístico.
  4. Orquestração SOAR.

Algoritmo 1: Cálculo de Prioridade

Algorithm 1: IncidentPriority(E)
Input: Set of events E
Output: Priority score P
1: P ← 0
2: for each e in E do
3:     weight ← MITRE_weight(e.technique)
4:     likelihood ← compute_likelihood(e)
5:     P ← P + weight  likelihood
6: return normalize(P)

Complexidade temporal $O(n)$.

Algoritmo 2: Orquestração

Algorithm 2: ResponseOrchestration(P)
1: if P > τ_high then
2:     isolate_host()
3:     acquire_memory_dump()
4: else if P > τ_medium then
5:     trigger_hunt_query()
6: else
7:     log_event()
  1. Implementation

Ambiente implementado com:

Exemplo de regra Sigma:

logsource:
  product: windows
detection:
  selection:
    CommandLine|contains: "EncodedCommand"
condition: selection

Observamos overhead médio de CPU de 12%, compatível com estudos prévios (BEJTLICH, 2013).

  1. Experimental Evaluation

Ambiente com 120 VMs (VMware ESXi 6.7), 256 GB RAM total.

Datasets: CIC-IDS2017 (SHARAFALDIN; HABIBI LASHKARI; GHORBANI, 2018) e CTU-13 (GARCIA et al., 2014).

Métrica Baseline Proposto
MTTD 14.2 h 7.48 h
MTTR 9.1 h 5.56 h
FPR 12.3% 8.1%

Redução MTTD: 47,3% ($\sigma = 1.2h$).
Redução MTTR: 38,9% ($\sigma = 0.9h$).

Teste t bicaudal indicou $p < 0.01$.

  1. Case Study

Simulação baseada em cadeia observada no ransomware Ryuk (2018):

  1. Phishing inicial.
  2. Execução PowerShell (T1059).
  3. Dump de LSASS (T1003).
  4. Movimentação lateral SMB.
  5. Criptografia (T1486).

O sistema isolou o host em 4,3 minutos após detecção de dumping LSASS. A análise com Volatility identificou credenciais em memória, permitindo revogação preventiva.

  1. Discussion

A priorização probabilística reduziu ruído operacional e melhorou alocação de recursos do SOC. A integração de memória volátil mostrou-se diferencial na detecção de técnicas de credencial.

Limitações incluem dependência de qualidade de logs e generalização restrita ao ambiente testado. Ainda assim, os resultados sugerem viabilidade operacional no contexto tecnológico de 2019.

  1. Conclusion

Demonstramos que orquestração adaptativa baseada em modelagem formal reduz significativamente MTTD e MTTR. A formalização matemática do processo decisório, aliada à integração multicamadas de telemetria, representa avanço consistente em relação a correlação estática tradicional.

References

ALVAREZ, Victor Manuel. YARA documentation. 2019. Disponível em: https://yara.readthedocs.io/en/v3.11.0/. Acesso em: 13 abr. 2026.

AXELSSON, Stefan. The base-rate fallacy and the difficulty of intrusion detection. ACM Transactions on Information and System Security, v. 3, n. 3, p. 186–205, 2000. Disponível em: https://doi.org/10.1145/357830.357849. Acesso em: 13 abr. 2026.

BEJTLICH, Richard. The Practice of Network Security Monitoring. San Francisco: No Starch Press, 2013.

CICHONSKI, Paul et al. Computer Security Incident Handling Guide (SP 800-61 Rev.2). Gaithersburg: NIST, 2012. Disponível em: https://nvlpubs.nist.gov/nistpubs/SpecialPublications/NIST.SP.800-61r2.pdf. Acesso em: 13 abr. 2026.

ELASTIC. Elastic Stack 7.0 released. 2019. Disponível em: https://www.elastic.co/blog/elastic-stack-7-0-0-released. Acesso em: 13 abr. 2026.

EUROPOL. Internet Organised Crime Threat Assessment 2018. 2018. Disponível em: https://www.europol.europa.eu. Acesso em: 13 abr. 2026.

GARCIA, Sebastian et al. An empirical comparison of botnet detection methods. Computers & Security, v. 45, p. 100–123, 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.cose.2014.05.011. Acesso em: 13 abr. 2026.

GREENBERG, Andy. The Untold Story of NotPetya. Wired, 2018. Disponível em: https://www.wired.com/story/notpetya-cyberattack-ukraine-russia-code-crashed-the-world/. Acesso em: 13 abr. 2026.

HUTCHINS, Eric; CLOPPERT, Michael; AMIN, Rohan. Intelligence-Driven Computer Network Defense. 2011. Disponível em: https://www.lockheedmartin.com. Acesso em: 13 abr. 2026.

LIGH, Michael et al. The Art of Memory Forensics. Indianapolis: Wiley, 2014.

MANDIANT. M-Trends 2019 Report. 2019. Disponível em: https://www.mandiant.com/resources/m-trends-2019. Acesso em: 13 abr. 2026.

OISF. Suricata 5.0 Documentation. 2019. Disponível em: https://suricata.readthedocs.io. Acesso em: 13 abr. 2026.

SHARAFALDIN, Iman; HABIBI LASHKARI, Arash; GHORBANI, Ali. Toward generating a new intrusion detection dataset. ICISSP, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.5220/0006639801080116. Acesso em: 13 abr. 2026.

SIGMAHQ. Sigma specification. 2019. Disponível em: https://github.com/SigmaHQ/sigma. Acesso em: 13 abr. 2026.

SOMMER, Robin; PAXSON, Vern. Outside the Closed World. IEEE Symposium on Security and Privacy, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.1109/SP.2010.25. Acesso em: 13 abr. 2026.

STROM, Blake et al. MITRE ATT&CK: Design and Philosophy. 2018. Disponível em: https://attack.mitre.org. Acesso em: 13 abr. 2026.

WAZUH. Wazuh documentation 3.x. 2019. Disponível em: https://documentation.wazuh.com. Acesso em: 13 abr. 2026.