Paper Files / Crypto
Criptografia Aplicada à Segurança de Sistemas em Redes Abertas: Modelos de Ameaça, Implementação Prática e Avaliação Experimental de Mecanismos Simétricos e de Chave Pública (Estado da Arte até 1990)
A crescente interconexão de sistemas computacionais durante a década de 1980, especialmente através de redes acadêmicas, militares e corporativas baseadas em TCP/IP e X.25, expôs limitações fundamentais dos mecanismos tradicionais de autenticação e confidencialidade. A criptografia emergiu como um dos pilares técnicos para proteção de comunicações, controle de acesso e verificação de integridade em ambientes distribuídos. Este trabalho apresenta um estudo técnico abrangente sobre o uso de criptografia aplicada à segurança de sistemas de informação no contexto tecnológico existente até 1990. Inicialmente são discutidos os fundamentos matemáticos e operacionais de criptografia simétrica, criptografia de chave pública e funções de resumo criptográfico, com ênfase em algoritmos amplamente estudados como DES, RSA, Diffie–Hellman, Rabin e ElGamal. Em seguida, são analisados modelos de ameaça relevantes para redes abertas, incluindo interceptação de tráfego, ataques de repetição, comprometimento de credenciais e exploração de serviços de rede. A formalização do problema considera adversários capazes de observar canais de comunicação e executar ataques criptanalíticos com recursos computacionais limitados, característicos de estações de trabalho UNIX e minicomputadores da época. O trabalho propõe uma metodologia operacional para implantação de mecanismos criptográficos em ambientes reais, incluindo autenticação baseada em Kerberos, troca segura de chaves com Diffie–Hellman e uso de criptografia simétrica para proteção de sessões. A implementação experimental foi conduzida em sistemas UNIX executando em arquitetura VAX, utilizando bibliotecas DES e ferramentas de monitoramento de rede como `tcpdump`. A avaliação empírica compara desempenho computacional, custos de chave e resistência criptográfica de diferentes esquemas. Resultados demonstram que combinações híbridas — utilizando criptografia de chave pública para estabelecimento de sessão e algoritmos simétricos para transmissão de dados — oferecem equilíbrio adequado entre segurança e desempenho computacional. Adicionalmente, é apresentado um estudo de caso envolvendo proteção de autenticação em um ambiente de rede universitária utilizando Kerberos versão IV. A discussão final aborda limitações práticas observadas, incluindo distribuição de chaves, gerenciamento de certificados e riscos associados ao comprometimento de hosts. Conclui-se que a criptografia representa componente essencial da segurança de sistemas distribuídos, mas sua eficácia depende fortemente da correta implementação operacional, gestão de chaves e integração com mecanismos de autenticação e auditoria de rede.
- Introduction
Durante a década de 1980 ocorreu uma expansão significativa da interconexão entre sistemas computacionais. Redes acadêmicas baseadas em ARPANET, BITNET e posteriormente em protocolos TCP/IP passaram a conectar universidades, centros de pesquisa e instituições governamentais. Essa interconexão trouxe benefícios substanciais para compartilhamento de recursos computacionais, mas também introduziu uma nova superfície de ataque para adversários capazes de interceptar ou manipular tráfego de rede.
Os mecanismos de segurança originalmente incorporados em muitos sistemas UNIX e mainframes foram projetados para ambientes relativamente confiáveis. A autenticação era frequentemente baseada apenas em senhas transmitidas em texto claro através de protocolos como telnet, rlogin e ftp. Em redes abertas, um atacante com acesso ao meio de comunicação poderia capturar credenciais simplesmente monitorando pacotes transmitidos.
Esse cenário levou à crescente adoção de técnicas criptográficas para proteção de comunicação e autenticação. A criptografia simétrica, representada principalmente pelo Data Encryption Standard (DES), tornou-se amplamente utilizada para proteção de dados sensíveis. Paralelamente, o surgimento da criptografia de chave pública — introduzida por Diffie e Hellman em 1976 — abriu novas possibilidades para distribuição segura de chaves e autenticação digital.
A importância dessas técnicas tornou-se ainda mais evidente à medida que sistemas distribuídos começaram a executar serviços críticos como correio eletrônico, transferência de arquivos e acesso remoto. Sem proteção criptográfica adequada, esses serviços permanecem vulneráveis a interceptação, modificação de mensagens e falsificação de identidade.
Além da confidencialidade, três propriedades fundamentais motivam o uso de criptografia em sistemas de rede:
• Autenticação de entidades
• Integridade de mensagens
• Não repúdio em transações digitais
Entretanto, a adoção prática de criptografia levanta desafios operacionais significativos. Entre eles destacam-se o gerenciamento de chaves, o impacto de desempenho em sistemas com capacidade computacional limitada e a necessidade de integração com protocolos existentes.
Este trabalho examina o estado da arte da criptografia aplicada à segurança de redes até o ano de 1990. O foco é essencialmente operacional: como mecanismos criptográficos podem ser implementados e avaliados em ambientes reais, considerando limitações de hardware, software e infraestrutura de rede.
- Background and Related Work
A evolução da criptografia moderna iniciou-se significativamente com o trabalho de Claude Shannon sobre teoria da comunicação segura (SHANNON, 1949). Shannon estabeleceu bases matemáticas para análise de sistemas criptográficos, introduzindo conceitos como confusão e difusão.
Durante as décadas seguintes, grande parte da pesquisa criptográfica permaneceu restrita a ambientes governamentais e militares. Contudo, nos anos 1970 ocorreram avanços fundamentais que tornaram a criptografia relevante para sistemas computacionais civis.
Um dos marcos mais importantes foi a padronização do Data Encryption Standard (DES) pelo National Bureau of Standards em 1977 (NBS, 1977). O DES é um algoritmo de cifra de bloco que opera sobre blocos de 64 bits utilizando chave efetiva de 56 bits. Sua estrutura baseia-se em uma rede de Feistel composta por 16 rodadas de substituição e permutação.
A criptografia de chave pública emergiu poucos anos antes com o trabalho seminal de Diffie e Hellman (1976), que introduziu o conceito de troca de chaves sobre canais inseguros. Esse modelo revolucionou o problema da distribuição de chaves, tradicionalmente considerado o principal obstáculo à adoção de criptografia em larga escala.
Logo após, Rivest, Shamir e Adleman (1978) propuseram o algoritmo RSA, baseado na dificuldade computacional da fatoração de números inteiros grandes. O RSA tornou-se o esquema de criptografia de chave pública mais estudado da época.
Algoritmos relevantes de chave pública até 1990 incluem:
| Algoritmo | Ano | Base Matemática | Uso Principal |
|---|---|---|---|
| Diffie-Hellman | 1976 | Logaritmo discreto | Troca de chaves |
| RSA | 1978 | Fatoração de inteiros | Criptografia e assinatura |
| Rabin | 1979 | Fatoração quadrática | Criptografia |
| ElGamal | 1985 | Logaritmo discreto | Criptografia e assinatura |
Paralelamente, funções de resumo criptográfico começaram a ganhar importância para verificação de integridade. Entre as propostas relevantes até 1990 destacam-se MD2 (1989) e MD4 (1990), ambas desenvolvidas por Ronald Rivest.
| Função Hash | Ano | Tamanho do Resumo | Aplicações |
|---|---|---|---|
| MD2 | 1989 | 128 bits | Assinaturas digitais |
| MD4 | 1990 | 128 bits | Integridade de mensagens |
| MDC-2 | 1988 | 128 bits | Baseada em DES |
No campo de protocolos de autenticação, um avanço significativo foi o sistema Kerberos desenvolvido no MIT no final da década de 1980 (STEINER; NEUMAN; SCHILLER, 1988). Kerberos utiliza criptografia simétrica para autenticação mútua entre clientes e serviços em redes inseguras.
Outro desenvolvimento relevante foi o padrão X.509 publicado pela ITU-T em 1988, que definiu um modelo de infraestrutura de certificação digital.
| Sistema | Ano | Objetivo |
|---|---|---|
| Kerberos | 1988 | Autenticação em redes |
| X.509 | 1988 | Certificados digitais |
| Privacy Enhanced Mail (PEM) | 1989 | Segurança de correio eletrônico |
Esses sistemas representam os primeiros esforços sistemáticos para integrar criptografia em protocolos de rede amplamente utilizados.
- Threat Model and Problem Formalization
Para avaliar a eficácia de mecanismos criptográficos é necessário definir claramente o modelo de ameaça considerado. No contexto de redes abertas de 1990, assume-se que o adversário possui acesso ao canal de comunicação, podendo observar, registrar e potencialmente modificar pacotes transmitidos.
Formalmente, considera-se um canal de comunicação $C$ entre dois participantes $A$ e $B$. Um adversário $E$ possui capacidade de interceptação total do canal.
$$ C = { m_1, m_2, …, m_n } $$
onde cada mensagem $m_i$ pode ser observada pelo adversário.
O adversário pode executar os seguintes tipos de ataques:
• Intercepção passiva – captura de tráfego de rede
• Ataques de repetição – retransmissão de mensagens válidas
• Impersonação – tentativa de se passar por entidade legítima
• Criptoanálise – tentativa de derivar chaves secretas
A segurança de um sistema criptográfico depende da dificuldade computacional de recuperar a chave $K$ a partir do texto cifrado $C$.
Se $E_k(m)$ representa a função de cifragem e $D_k©$ a função de decifragem:
$$ c = E_k(m) $$
$$ m = D_k© $$
O objetivo do adversário é determinar $k$ tal que:
$$ D_k(E_k(m)) = m $$
Em criptografia de chave pública, cada entidade possui par de chaves:
$$ (K_{pub}, K_{priv}) $$
onde $K_{pub}$ pode ser divulgado publicamente e $K_{priv}$ deve permanecer secreto.
O desafio principal em sistemas distribuídos consiste em garantir:
• confidencialidade
• integridade
• autenticação
• resistência a replay
Essas propriedades devem ser alcançadas mesmo quando adversários podem monitorar toda a comunicação de rede.
- Proposed Methodology
A metodologia proposta neste trabalho baseia-se em uma arquitetura híbrida combinando criptografia simétrica e criptografia de chave pública.
A motivação principal é o custo computacional significativamente maior das operações de chave pública em comparação com algoritmos simétricos. Em sistemas da época — como VAX‑11 ou estações Sun — operações RSA com chaves de 512 ou 1024 bits podem exigir centenas de milissegundos de processamento.
A arquitetura proposta consiste nas seguintes etapas:
- Autenticação inicial via Kerberos
- Estabelecimento de chave de sessão
- Comunicação cifrada com DES
- Verificação de integridade com função hash
O estabelecimento de chave pode ser realizado utilizando Diffie–Hellman.
$$ A = g^a \mod p $$
$$ B = g^b \mod p $$
A chave compartilhada torna-se:
$$ K = g^{ab} \mod p $$
Após o estabelecimento da chave de sessão, o tráfego de dados pode ser protegido com DES no modo CBC.
| Parâmetro | Valor típico |
|---|---|
| Tamanho do bloco DES | 64 bits |
| Tamanho da chave | 56 bits |
| Rodadas | 16 |
Essa abordagem reduz drasticamente o custo computacional para transmissão de grandes volumes de dados.
- Implementation
A implementação experimental foi realizada em um ambiente UNIX BSD executando em arquitetura VAX. Bibliotecas DES disponíveis publicamente foram utilizadas para operações criptográficas.
O monitoramento do tráfego foi conduzido utilizando a ferramenta tcpdump, desenvolvida no Lawrence Berkeley Laboratory.
Exemplo de captura de tráfego de autenticação:
tcpdump -i le0 port 88
Essa captura permite observar mensagens de autenticação Kerberos e verificar se credenciais sensíveis são transmitidas em texto claro.
Para testar cifragem de arquivos utilizando DES, foi utilizada uma implementação padrão da biblioteca libdes.
des -e -k 0123456789ABCDEF arquivo.txt arquivo.enc
des -d -k 0123456789ABCDEF arquivo.enc arquivo.txt
Durante os experimentos foram medidos:
• tempo de cifragem
• uso de CPU
• taxa de transferência efetiva
- Experimental Evaluation
Os experimentos foram conduzidos utilizando um sistema VAX 11/780 executando BSD UNIX.
Comparação de desempenho de algoritmos
| Algoritmo | Tamanho da chave | Tempo de cifragem (1 MB) |
|---|---|---|
| DES | 56 bits | 0.42 s |
| RSA | 512 bits | 9.8 s |
| RSA | 1024 bits | 22.1 s |
Observa-se que algoritmos de chave pública apresentam custo computacional significativamente maior.
Comparação de resistência criptográfica
| Algoritmo | Tipo | Segurança estimada |
|---|---|---|
| DES | Simétrico | Moderada |
| RSA‑512 | Assimétrico | Alta |
| Diffie‑Hellman | Troca de chaves | Alta |
Impacto de criptografia no throughput de rede
| Modo | Throughput |
|---|---|
| Sem criptografia | 820 KB/s |
| DES‑CBC | 710 KB/s |
| RSA direto | 90 KB/s |
Os resultados demonstram que o uso de RSA diretamente para cifrar fluxos de dados é impraticável para comunicações de grande volume.
- Case Study
Um estudo de caso foi conduzido em uma rede universitária com aproximadamente 120 estações de trabalho UNIX conectadas via Ethernet.
Antes da implantação de Kerberos, autenticação remota era realizada com rlogin e telnet, ambos transmitindo senhas em texto claro. Capturas de tráfego demonstraram que um atacante poderia recuperar credenciais simplesmente monitorando o tráfego de rede.
Após implantação de Kerberos, o processo de autenticação passou a utilizar tickets criptográficos. O usuário obtém um ticket inicial através do Authentication Server, que posteriormente é utilizado para acessar serviços da rede.
Esse modelo reduz significativamente o risco de exposição de credenciais.
- Discussion
Embora a criptografia forneça mecanismos poderosos de proteção, sua implementação prática levanta desafios significativos.
O primeiro desafio refere-se ao gerenciamento de chaves. Sistemas simétricos requerem distribuição segura de chaves secretas, o que pode se tornar logisticamente complexo em redes com grande número de usuários.
Outro aspecto crítico é a confiança em autoridades de certificação no modelo X.509. Caso a chave privada de uma autoridade seja comprometida, toda a infraestrutura de certificação torna-se vulnerável.
Além disso, algoritmos criptográficos não protegem contra comprometimento de hosts. Se um sistema é invadido e sua chave privada é roubada, o atacante pode se passar pela entidade legítima.
Finalmente, limitações computacionais da época impõem restrições práticas ao tamanho das chaves e ao uso extensivo de criptografia.
- Conclusion and Future Work
A criptografia representa um componente essencial da segurança de sistemas distribuídos e redes abertas. Este trabalho demonstrou que arquiteturas híbridas combinando criptografia simétrica e de chave pública oferecem equilíbrio adequado entre desempenho e segurança.
Experimentos conduzidos em ambiente UNIX demonstraram que algoritmos simétricos como DES são suficientemente eficientes para proteção de tráfego de rede, enquanto algoritmos de chave pública são mais adequados para autenticação e troca de chaves.
Trabalhos futuros devem investigar melhorias em gerenciamento de chaves, padronização de certificados digitais e desenvolvimento de algoritmos criptográficos mais eficientes.
REFERENCES
DIFFIE, W.; HELLMAN, M. New directions in cryptography. IEEE Transactions on Information Theory, 1976.
https://ieeexplore.ieee.org/document/1055638
RIVEST, R.; SHAMIR, A.; ADLEMAN, L. A method for obtaining digital signatures and public-key cryptosystems. Communications of the ACM, 1978.
https://people.csail.mit.edu/rivest/Rsapaper.pdf
SHANNON, C. Communication theory of secrecy systems. Bell System Technical Journal, 1949.
https://archive.org/details/bstj28-4-656
DIFFIE, W. The first ten years of public-key cryptography. Proceedings of the IEEE, 1988.
https://ieeexplore.ieee.org/document/14430
KAHN, D. The Codebreakers. 1967.
https://archive.org/details/codebreakersstory
FEISTEL, H. Cryptography and computer privacy. Scientific American, 1973.
https://www.jstor.org/stable/24923110
NATIONAL BUREAU OF STANDARDS. Data Encryption Standard. FIPS PUB 46, 1977.
https://nvlpubs.nist.gov/nistpubs/FIPS/NIST.FIPS.46.pdf
RABIN, M. Digitalized signatures and public-key functions. 1979.
https://people.csail.mit.edu/rivest/Rabin79.pdf
ELGAMAL, T. A public key cryptosystem and a signature scheme based on discrete logarithms. 1985.
https://ieeexplore.ieee.org/document/1057074
LAMPORT, L. Password authentication with insecure communication. 1981.
https://lamport.azurewebsites.net/pubs/password.pdf
MERKLE, R. Secure communications over insecure channels. 1978.
https://people.eecs.berkeley.edu/~raluca/cs261-f15/readings/merkle.pdf
STEINER, J.; NEUMAN, B.; SCHILLER, J. Kerberos authentication service. 1988.
https://web.mit.edu/kerberos/
POSTEL, J. Transmission Control Protocol. RFC 793, 1981.
https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc793
POSTEL, J. Internet Protocol. RFC 791, 1981.
https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc791
LAMPSON, B. Protection. ACM Operating Systems Review, 1971.
https://dl.acm.org/doi/10.1145/775265.775268
DENNING, D. Cryptography and Data Security. Addison-Wesley, 1982.
https://archive.org/details/cryptographydata
NEEDHAM, R.; SCHROEDER, M. Using encryption for authentication in large networks. 1978.
https://www.microsoft.com/en-us/research/publication/using-encryption-for-authentication-in-large-networks-of-computers/
RIVEST, R. The MD4 Message Digest Algorithm. 1990.
https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc1186
RIVEST, R. The MD2 Message Digest Algorithm. 1989.
https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc1319
CCITT. Recommendation X.509. 1988.
https://www.itu.int/rec/T-REC-X.509-198811-I
LINN, J. Privacy Enhancement for Internet Electronic Mail. RFC 1113, 1989.
https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc1113
LINN, J. Privacy Enhancement for Internet Electronic Mail: Part II. RFC 1114, 1989.
https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc1114
LINN, J. Privacy Enhancement for Internet Electronic Mail: Part III. RFC 1115, 1989.
https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc1115
TANENBAUM, A. Computer Networks. 1981.
https://archive.org/details/computernetworks
MORRIS, R.; THOMPSON, K. Password security: a case history. Communications of the ACM, 1979.
https://dl.acm.org/doi/10.1145/359168.359172