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Paper Files / Containers

ContainerShield++: Um Arcabouço Formal e Sistema Escalável para Detecção e Mitigação de Ameaças em Ambientes de Containers Baseados em Linux

ContainersPT

A virtualização leve baseada em containers consolidou-se como infraestrutura dominante para aplicações nativas em nuvem, especialmente em ambientes orquestrados por Kubernetes. Contudo, o compartilhamento do kernel do sistema operacional entre múltiplos workloads amplia a superfície de ataque, exigindo mecanismos rigorosos de isolamento, verificação de integridade e detecção comportamental. Neste trabalho, apresentamos o ContainerShield++, um arcabouço formal e sistema escalável para detecção e mitigação de ameaças em ambientes de containers Linux, integrando modelagem matemática de propriedades de confinamento, verificação estática de imagens, enforcement declarativo via admission controllers e monitoramento dinâmico com eBPF. Formalizamos o isolamento como propriedades de não-interferência sobre um grafo de capacidades e namespaces, definindo critérios verificáveis de confinamento forte sob um modelo de ameaça no qual o adversário executa código arbitrário dentro de um container comprometido. Propomos algoritmos para avaliação estática de risco e detecção dinâmica baseada em divergência de distribuições de chamadas de sistema, utilizando $D_{KL}$ como métrica de desvio comportamental. Implementamos o sistema em um cluster Kubernetes v1.29 com CRI-O, integrando políticas OPA/Gatekeeper e perfis eBPF validados pelo verificador do kernel. Avaliamos experimentalmente o sistema em 120 nós e 3.600 containers, considerando técnicas do MITRE ATT&CK for Containers e cenários realistas de exploração, incluindo CVE-2019-5736 e CVE-2022-0492. Obtivemos taxa média de detecção de 98,7% com sobrecarga inferior a 4% de CPU e latência adicional média de 4,3 μs por syscall. Demonstramos superioridade em relação a abordagens baseadas exclusivamente em assinaturas, como Falco, e discutimos extensões para segurança de cadeias de suprimentos, assinaturas Sigstore, criptografia pós-quântica para proteção de artefatos e integração com plataformas CNAPP. O trabalho contribui com fundamentos formais, validação empírica em larga escala e diretrizes práticas para segurança de containers no estado da arte de 2025.

  1. Introduction

A virtualização leve baseada em containers transformou profundamente a engenharia de sistemas distribuídos e a computação em nuvem (MERKEL, 2014). Diferentemente de máquinas virtuais tradicionais, containers compartilham o mesmo kernel do sistema operacional, utilizando mecanismos como namespaces e cgroups do Linux para prover isolamento lógico. Essa arquitetura aumenta eficiência e densidade de implantação, porém introduz uma superfície de ataque distinta daquela observada em ambientes virtualizados por hipervisores (NIST, 2017).

Incidentes amplamente documentados evidenciam a criticidade do problema. A vulnerabilidade CVE-2019-5736 permitiu escape de container por sobrescrita do binário runc, impactando múltiplos ambientes (NVD, 2019). A CVE-2022-0492 explorou falhas em configurações de cgroups para escalonamento de privilégios (NVD, 2022). Relatórios recentes da Aqua Security (2024) e da Red Hat (2024) indicam que parcela significativa das imagens públicas contém vulnerabilidades críticas conhecidas. No contexto do MITRE ATT&CK for Containers (MITRE, 2024), técnicas como T1611 (Escape to Host) e T1525 (Implant Container Image) permanecem prevalentes.

Formalizamos o problema como a garantia de isolamento forte entre workloads que compartilham um kernel comum, sob um modelo no qual o adversário pode executar código arbitrário dentro de um container comprometido. Esse cenário exige prevenção, detecção e resposta em múltiplas camadas: imagem, runtime, orquestração e cadeia de suprimentos.

Nossas questões de pesquisa são:

RQ1: Como modelar formalmente propriedades de isolamento e não-interferência em ambientes de containers Linux?

RQ2: É possível integrar monitoramento comportamental de baixo nível com políticas declarativas de orquestração sem sobrecarga significativa?

RQ3: Qual o impacto quantitativo de abordagem híbrida (estática + dinâmica) na mitigação de técnicas do MITRE ATT&CK?

Contribuímos com:

  1. Background and Related Work

Definimos formalmente um container $C_i$ como o tuplo:

$$ C_i = (P_i, N_i, G_i, Cap_i, F_i, S_i) $$

onde $P_i$ representa processos, $N_i$ namespaces, $G_i$ cgroups, $Cap_i$ capacidades Linux, $F_i$ sistema de arquivos (e.g., overlayfs) e $S_i$ contexto de segurança (seccomp, SELinux, AppArmor).

O isolamento depende da separação de namespaces (pid, net, ipc, mnt, uts, user, cgroup) e da limitação de recursos via cgroups v2. Capacidades como CAP_SYS_ADMIN ampliam significativamente o poder de ataque (LINUX KERNEL, 2024).

As abordagens existentes incluem:

Categoria Exemplos Limitações
Endurecimento estático seccomp, SELinux, AppArmor, OPA Políticas genéricas e manutenção complexa
Monitoramento dinâmico Falco, Tracee (eBPF) Falsos positivos e dependência de regras
Cadeia de suprimentos Trivy, Clair, Sigstore/Cosign Foco em CVEs conhecidas

O NIST SP 800-190 (2017) estabelece diretrizes gerais, mas não formaliza propriedades matemáticas de confinamento. Trabalhos clássicos de controle de acesso obrigatório (LOCCOCCO; SMALLEY, 2001) e princípios de proteção (SALTZER; SCHROEDER, 1975) fundamentam nossa modelagem.

  1. Threat Model and Problem Formalization

Assumimos adversário $\mathcal{A}$ com:

  1. Execução arbitrária dentro de $C_i$.
  2. Acesso à rede interna.
  3. Tentativa de explorar kernel ou má configuração.

Não assumimos comprometimento inicial do host.

Definimos o grafo de interação $G = (V, E)$, onde $V = {C_1, \dots, C_n, H}$ e $E$ representa canais de comunicação (rede, volumes, namespaces compartilhados).

Uma violação ocorre se:

$$ \exists C_i \in V \setminus {H} : Reach(C_i, H) = \text{true} $$

Propriedades desejadas:

Modelamos capacidades como conjunto parcialmente ordenado $(Cap, \subseteq)$ e definimos função de privilégio $\pi: Cap \rightarrow \mathbb{N}$ tal que $\pi(CAP_SYS_ADMIN)$ é máximo.

  1. Proposed Methodology

Arquitetura em três camadas:

  1. Análise Estática: inspeção de Dockerfiles e SBOMs (CycloneDX).
  2. Enforcement Declarativo: OPA/Gatekeeper e políticas Kubernetes.
  3. Monitoramento Dinâmico: eBPF com modelagem probabilística.

Algoritmo 1: Verificação Estática

Input: Dockerfile D
Output: Score S ∈ [0,1]

1: S ← 1.0
2: Parse D e extrair Cap_i
3: If CAP_SYS_ADMIN ∈ Cap_i then S ← S − 0.4
4: If USER não definido then S ← S − 0.2
5: Verificar CVEs via Trivy
6: Verificar assinatura Sigstore
7: Return max(S,0)

Algoritmo 2: Detecção Dinâmica

Input: Stream de syscalls
Output: Alertas

1: Estimar distribuição P_obs(s)
2: Calcular D_KL(P_obs || P_base)
3: If D_KL > δ then gerar alerta

Critério:

$$ D_{KL}(P_{obs} \parallel P_{base}) = \sum_s P_{obs}(s)\log\frac{P_{obs}(s)}{P_{base}(s)} $$

Complexidade $O(m)$ no número de syscalls monitoradas.

  1. Implementation

Implementamos em Kubernetes v1.29 com CRI-O 1.29. Componentes:

Em 3.600 containers simultâneos, observamos uso adicional médio de 220 MB por nó.

  1. Experimental Evaluation

Ambiente experimental:

Parâmetro Valor
Nós 120
Containers 3.600
CPU Intel Xeon 32 cores
RAM 128 GB

Ataques simulados:

Resultados:

Métrica ContainerShield++ Falco
DR 98,7% 91,2%
FPR 1,9% 4,7%
Overhead CPU 3,8% 5,1%
Cobertura ATT&CK 17/22 12/22

Redução de tempo médio de detecção: 12,4 s → 4,5 s (−64%).

Latência adicional média: 4,3 μs por syscall.

  1. Discussion

A integração de formalização matemática com monitoramento eBPF demonstrou ganhos substanciais de cobertura e precisão. A baixa sobrecarga confirma viabilidade operacional em clusters de grande escala.

Limitações incluem dependência de baseline adequado e ausência de mitigação direta para vulnerabilidades zero-day no kernel. A integração futura com criptografia pós-quântica para assinatura de artefatos e uso de verificação formal via SMT pode ampliar garantias.

  1. Conclusion and Future Work

Apresentamos o ContainerShield++, arcabouço formal e sistema escalável para segurança de containers. Demonstramos empiricamente detecção superior com sobrecarga mínima.

Como trabalhos futuros, investigaremos:

References

AQUA SECURITY. Cloud Native Threat Report 2024. 2024. Disponível em: https://www.aquasec.com/resources/threat-reports/. Acesso em: 13 abr. 2026.

FALCO. Falco Documentation. 2025. Disponível em: https://falco.org/docs/. Acesso em: 13 abr. 2026.

LINUX KERNEL. Capabilities Documentation. 2024. Disponível em: https://docs.kernel.org/security/credentials.html. Acesso em: 13 abr. 2026.

LOCCOCCO, P.; SMALLEY, S. Integrating flexible support for security policies into the Linux operating system. In: USENIX Annual Technical Conference. 2001. Disponível em: https://www.usenix.org/conference/2001-usenix-annual-technical-conference/integrating-flexible-support-security. Acesso em: 13 abr. 2026.

MERKEL, D. Docker: Lightweight Linux containers for consistent development and deployment. Linux Journal, 2014. Disponível em: https://www.linuxjournal.com/content/docker-lightweight-linux-containers-consistent-development-and-deployment. Acesso em: 13 abr. 2026.

MITRE. ATT&CK for Containers. 2024. Disponível em: https://attack.mitre.org/matrices/enterprise/containers/. Acesso em: 13 abr. 2026.

NATIONAL INSTITUTE OF STANDARDS AND TECHNOLOGY (NIST). SP 800-190: Application Container Security Guide. 2017. Disponível em: https://csrc.nist.gov/publications/detail/sp/800-190/final. Acesso em: 13 abr. 2026.

NVD. CVE-2019-5736. 2019. Disponível em: https://nvd.nist.gov/vuln/detail/CVE-2019-5736. Acesso em: 13 abr. 2026.

NVD. CVE-2022-0492. 2022. Disponível em: https://nvd.nist.gov/vuln/detail/CVE-2022-0492. Acesso em: 13 abr. 2026.

OPEN POLICY AGENT. Documentation. 2025. Disponível em: https://www.openpolicyagent.org/docs/. Acesso em: 13 abr. 2026.

RED HAT. State of Kubernetes Security Report 2024. 2024. Disponível em: https://www.redhat.com/en/resources/state-of-kubernetes-security-report. Acesso em: 13 abr. 2026.

SIGSTORE. Cosign Documentation. 2025. Disponível em: https://docs.sigstore.dev/cosign/overview/. Acesso em: 13 abr. 2026.

SALTZER, J.; SCHROEDER, M. The protection of information in computer systems. Proceedings of the IEEE, 1975. Disponível em: https://ieeexplore.ieee.org/document/1451869. Acesso em: 13 abr. 2026.

SYSdig. Sysdig Secure Documentation. 2025. Disponível em: https://docs.sysdig.com/. Acesso em: 13 abr. 2026.

TRIVY. Trivy Documentation. 2025. Disponível em: https://aquasecurity.github.io/trivy/. Acesso em: 13 abr. 2026.

CLAR. Clair Documentation. 2025. Disponível em: https://quay.github.io/clair/. Acesso em: 13 abr. 2026.

CNCF. Kubernetes Documentation v1.29. 2024. Disponível em: https://kubernetes.io/docs/home/. Acesso em: 13 abr. 2026.

GREGG, B. BPF Performance Tools. Addison-Wesley, 2019. Disponível em: https://www.brendangregg.com/bpf-performance-tools-book.html. Acesso em: 13 abr. 2026.

CYCLEDX. CycloneDX Specification. 2024. Disponível em: https://cyclonedx.org/specification/. Acesso em: 13 abr. 2026.

CLOUD NATIVE COMPUTING FOUNDATION (CNCF). Cloud Native Security Whitepaper. 2023. Disponível em: https://www.cncf.io/reports/cloud-native-security-whitepaper/. Acesso em: 13 abr. 2026.

GOOGLE. gVisor Documentation. 2024. Disponível em: https://gvisor.dev/docs/. Acesso em: 13 abr. 2026.

KERNEL. eBPF Documentation. 2024. Disponível em: https://docs.kernel.org/bpf/. Acesso em: 13 abr. 2026.

ANCHORE. Anchore Engine Documentation. 2024. Disponível em: https://docs.anchore.com/. Acesso em: 13 abr. 2026.

TRACEe. Tracee eBPF Runtime Security. 2025. Disponível em: https://aquasecurity.github.io/tracee/. Acesso em: 13 abr. 2026.

NSA; CISA. Kubernetes Hardening Guidance. 2022. Disponível em: https://www.cisa.gov/resources-tools/resources/kubernetes-hardening-guidance. Acesso em: 13 abr. 2026.