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Arquiteturas Seguras para Redes Corporativas e Serviços Web: Modelagem de Ameaças, Técnicas de Ataque e Estratégias Operacionais de Defesa com Firewalls, IDS, WAF e PKI
Este trabalho apresenta uma arquitetura integrada de segurança para redes corporativas e serviços web condizente com o estado da prática em 2006. Partimos do contexto histórico de ataques de alto impacto (Code Red, Slammer, Blaster, Sasser) e vulnerabilidades recorrentes (buffer overflow, SQL injection, XSS) para estabelecer um modelo de ameaças realista envolvendo perímetros com DMZ, servidores web (Apache/IIS), bancos de dados (MySQL/MS SQL Server), diretórios corporativos (Active Directory) e VPNs baseadas em IPsec. Propomos uma formalização de risco $R = \sum_{i} p_i \cdot I_i$ aliada a grafos de ataque para raciocínio sobre caminhos de comprometimento e sobreposições de controles. A metodologia operacional consolida cinco camadas: prevenção (hardening, gestão de patches conforme NIST SP 800-40, uso de TLS/PKI e WAF ModSecurity), detecção (IDS de rede Snort, detecção em host com Tripwire, gerenciamento e correlação de logs segundo NIST SP 800-92 com syslog-ng e SEC), resposta (processos e playbooks segundo NIST SP 800-61, preservação de evidências com EnCase/FTK), contenção e erradicação (segmentação, ACLs, Snort-inline e ajustes de firewall), e testes recorrentes (Nmap, Nessus, Nikto e Metasploit). Implementamos e avaliamos o modelo em um laboratório composto por Linux e Windows Server 2003, Apache 2.0/PHP 5.1, MySQL 5.0, Snort 2.4.x, BASE, Barnyard, syslog-ng, SEC, ModSecurity 1.9, Tripwire e Metasploit Framework 2.x. Realizamos 110 simulações de ataque envolvendo exploração remota de DCOM RPC (MS03-026), variações de LSASS (MS04-011), varredura e exploração de SQL injection (via WebGoat) e tráfego sintético de propagação semelhante ao Slammer, medindo MTTD, MTTR, taxa de falsos positivos e cobertura de detecção. Observamos reduções de MTTD de 39 min para 13,8 min e de MTTR de 88 min para 49 min, com taxa média de falsos positivos de 6,9%, mantida por afinação de regras Snort, whitelisting de assinaturas e correlação simples baseada em estado no SEC. Como estudo de caso, descrevemos um incidente realista de 2005-2006 em comércio eletrônico, no qual um SQL injection levou à exfiltração parcial de dados; mostramos como WAF, saneamento de entrada e segmentação de egress teriam rompido a cadeia de ataque. Discutimos limitações (qualidade de logs, custo operacional, evasão de IDS) e apresentamos direções factíveis para a época: integração com honeypots de baixa interação, automatização de modelagem de grafos de ataque e verificação formal de protocolos de autenticação. O trabalho oferece um guia rigoroso e implementável, sustentado por referencial teórico e evidências experimentais, adequado às demandas de segurança de 2006.
- Introduction
A segurança de redes corporativas e de serviços web, em 2006, é fortemente marcada por uma visão perimetral com zonas DMZ, firewalls de filtragem de pacotes e proxies aplicacionais, aliada a mecanismos de detecção de intrusões e práticas de gestão de incidentes. A sucessão de epidemias de vermes — Code Red (2001), Slammer (2003), Blaster (2003) e Sasser (2004) — evidenciou a eficácia limitada de controles isolados e a necessidade de abordagens integradas e baseadas em risco (CERT/CC, 2001; CERT/CC, 2003a; CERT/CC, 2003b; CERT/CC, 2004). Em paralelo, aplicações web corporativas com lógica sensível a dados tornaram-se alvos preferenciais por meio de SQL injection e cross-site scripting (XSS), afetando integridade e confidencialidade (OWASP, 2004; HALFOND; VIEGAS; ORSO, 2006).
A literatura técnica e normativa consolidou guias práticos: firewalls e políticas (NIST, 2002; CHESWICK; BELLOVIN; RUBIN, 2003), gestão de patches (NIST, 2005), resposta a incidentes (NIST, 2004) e gerenciamento de logs (NIST, 2006). No campo de detecção, os sistemas IDS de rede e host, como Bro/Zeek (PAXSON, 1999) e Snort (ROESCH, 1999), estabeleceram o paradigma de monitoramento em tempo quase real, enquanto ferramentas de análise de vulnerabilidades (Nessus, Nikto) e de exploração (Metasploit) amadureceram as práticas de teste de penetração em laboratórios controlados (TENABLE, 2005; CIRT, 2001; MOORE, 2004).
Este trabalho integra esses desenvolvimentos em uma arquitetura operacionalmente aplicável e teoricamente fundamentada. Adotamos um modelo de ameaças compatível com redes corporativas em 2006 — incluindo usuários internos, acesso remoto via VPN IPsec, serviços web em DMZ e diretórios corporativos — e formalizamos o problema em termos de grafos de ataque e de uma função de risco aditiva. Em seguida, descrevemos uma metodologia em cinco camadas, mapeamos sua implementação com tecnologias disponíveis até 2006 e avaliamos sua eficácia por meio de experimentos controlados. O estudo de caso ilustra o encadeamento de eventos em um incidente de SQL injection com pivoting à rede interna, destacando controles de interrupção eficazes e mensuráveis.
Contribuímos com (i) um arcabouço unificado de prevenção, detecção e resposta, (ii) uma aplicação prática de grafos de ataque à priorização de defesas, e (iii) evidências empíricas de redução de MTTD e MTTR em cenários representativos da época.
- Fundamentos e Trabalhos Relacionados
O desenho de perímetros e a segmentação por zonas (interna, DMZ e externa) com firewalls de filtragem de pacotes e gateways aplicacionais formam a base arquitetural clássica (NIST, 2002; CHESWICK; BELLOVIN; RUBIN, 2003). A adoção de TLS 1.0 para canais seguros (DIERKS; ALLEN, 1999), IPsec para VPNs corporativas (KENT; SEO, 2005) e PKI conforme X.509 (COOPER et al., 2002) estabelece camadas de confidencialidade e autenticação. Na criptografia simétrica, o AES foi padronizado em 2001 (NIST, 2001), substituindo gradualmente algoritmos legados.
Na detecção de intrusões, o Bro (PAXSON, 1999) e o Snort (ROESCH, 1999) inauguraram a análise baseada em assinaturas e anomalias, com ecossistemas de coleta e análise como Barnyard e consolas ACID/BASE. Guias do NIST consolidaram recomendações para IDS (NIST, 2001) e para gerenciamento de logs (NIST, 2006). A correlação leve com ferramentas como Simple Event Correlator (SEC) e soluções híbridas como Prelude apareceram como alternativas viáveis (POLETTO, 2005; VANDOOORSELAERE, 2003).
No domínio de vulnerabilidades em aplicações web, o OWASP Top 10 (OWASP, 2004) forneceu taxonomia influente. SQL injection foi classificado e sistematizado (HALFOND; VIEGAS; ORSO, 2006), enquanto XSS foi objeto de alertas precoces (CERT/CC, 2000). Ferramentas como Nikto e ModSecurity introduziram vetores de varredura e mitigação (CIRT, 2001; MODSECURITY, 2005). Em sistemas, a integridade de arquivos com Tripwire (KIM; SPAFFORD, 1994) e a exploração controlada com Metasploit (MOORE, 2004) consolidaram práticas de auditoria técnica.
Formalmente, notações como BAN logic e o modelo de Dolev–Yao influenciaram a análise de protocolos (BURROWS; ABADI; NEEDHAM, 1990; DOLEV; YAO, 1983), enquanto recomendações práticas de engenharia prudente (ABADI; NEEDHAM, 1996) guiaram projetos de autenticação. Para raciocínio sobre caminhos de ataque, grafos de ataque automatizados provaram-se úteis para priorização (SHEYNER et al., 2002). Em gestão de risco, o NIST SP 800-30 formalizou processos de identificação e análise de riscos (STONEBURNER; GOGUEN; FERINGA, 2002). Diretrizes para resposta a incidentes (NIST, 2004) e forense digital (CARRIER, 2005; CASEY, 2004; KRUSE; HEISER, 2001) complementaram o ciclo de defesa.
Nossa proposta integra esses elementos em uma abordagem coerente com o contexto tecnológico e operacional até 2006.
- Modelo de Ameaças e Formalização do Problema
Consideramos uma organização com topologia perimetral composta por três zonas: rede externa $Z_e$, DMZ $Z_d$ e rede interna $Z_i$. Definimos o conjunto de ativos $H = H_e \cup H_d \cup H_i$ e o conjunto de serviços $S$ (HTTP/HTTPS, SMTP, DNS, SQL, SMB, RDP/Terminal Services, VPN IPsec). Seja $V$ o conjunto de vulnerabilidades conhecidas até a data de avaliação e $E$ o conjunto de arestas de exploração em um grafo de ataque direcionado $G = (N, E)$, onde $N$ contém estados de segurança e compromissos parciais (SHEYNER et al., 2002).
- Adversário externo $A_{ext}$: com capacidade de escanear portas, explorar serviços voltados à Internet (IIS/Apache, SMTP, DNS), injetar SQL em aplicações web, realizar brute force limitado e enviar e-mails de phishing (SKOUDIS, 2006).
- Adversário interno $A_{int}$: com credenciais válidas de baixo privilégio, acesso físico limitado e possibilidade de executar binários e scripts no ambiente cliente (STONEBURNER; GOGUEN; FERINGA, 2002).
- Adversário remoto autenticado $A_{vpn}$: usuário legítimo via IPsec com bypass parcial do perímetro, sujeito a políticas internas.
Capacidades $C$ incluem: exploração remota de estouros de buffer ($c_b$) (ALEPH ONE, 1996), injeção de SQL ($c_{sql}$) (HALFOND; VIEGAS; ORSO, 2006), XSS ($c_{xss}$) (CERT/CC, 2000), movimento lateral via serviços internos ($c_{lat}$) e exfiltração por canais controlados ($c_{exf}$).
Adotamos a função de risco agregada: $$ R = \sum_{t \in T} p(t) \cdot I(t), $$ onde $T$ é o conjunto de técnicas de ataque aplicáveis ao ambiente, $p(t)$ a probabilidade estimada de ocorrência em um horizonte temporal e $I(t)$ o impacto monetizado ou ordinal (NIST, 2002). No grafo de ataque, o custo esperado de um caminho $P = \langle n_0, \ldots, n_k \rangle$ é $R(P) = \sum_{j=1}^{k} p(e_j)\cdot I(e_j)$, permitindo priorização de contramedidas por mínimo incremento de risco residual $\Delta R$ por unidade de custo.
Assumimos canais protegidos por TLS 1.0 e IPsec com parâmetros recomendados (DIERKS; ALLEN, 1999; KENT; SEO, 2005) e autenticação baseada em PKI segundo RFC 3280 (COOPER et al., 2002). Na prática, erros de implementação e configuração — chaves fracas, certificados expirados, SSLv2 habilitado, contas padrão — compõem o espaço de falhas a mitigar (CHESWICK; BELLOVIN; RUBIN, 2003).
- Metodologia Proposta
Nossa metodologia combina cinco camadas técnicas e processuais, com mapeamento explícito a controles e ferramentas disponíveis até 2006.
- Prevenção e Hardening
- Gestão de patches e vulnerabilidades conforme NIST SP 800-40 v2, com janelas de manutenção e inventário atualizado (NIST, 2005).
- Configuração segura de serviços: desativação de módulos inseguros, princípio do menor privilégio, chroot para serviços críticos (CHESWICK; BELLOVIN; RUBIN, 2003).
- TLS e PKI: adoção de TLS 1.0 com cifras baseadas em AES/3DES, verificação de CRL e prática de rotação de chaves (DIERKS; ALLEN, 1999; NIST, 2001; COOPER et al., 2002).
- WAF em camada de aplicação com ModSecurity 1.9 para atenuar injeções e XSS (MODSECURITY, 2005).
- Desenvolvimento seguro: STRIDE e checklists de validação de entrada/saída, codificação defensiva e parâmetros vinculados (HOWARD; LEBLANC, 2002; OWASP, 2004).
- Detecção
- IDS de rede Snort 2.4.x com regras para tráfego de vermes, exploração de RPC/LSASS, varreduras e anomalias de DNS/SMTP (ROESCH, 1999).
- IDS/controle de integridade de host com Tripwire para binários e arquivos críticos (KIM; SPAFFORD, 1994).
- Gerenciamento de logs centralizado com syslog-ng e correlação de eventos com SEC, seguindo NIST SP 800-92 (NIST, 2006; POLETTO, 2005).
- Monitoração de disponibilidade e comportamento de serviços com scripts de sondagem periódica.
- Resposta a Incidentes e Forense
- Processos alinhados ao NIST SP 800-61: preparação, detecção e análise, contenção, erradicação e recuperação (NIST, 2004).
- Preservação de evidências em mídia forense e aquisição com EnCase/FTK quando apropriado (GUIDANCE SOFTWARE, 2005; ACCESSDATA, 2005; CARRIER, 2005).
- Contenção e Erradicação
- Segmentação de rede e listas de controle de acesso; aplicação de iptables/ACLs e Snort-inline para bloqueio reativo (NIST, 2002; ROESCH, 1999).
- Remoção de malware, rotação de credenciais, aplicação de patches e verificação de integridade.
- Testes Recorrentes
- Varreduras autenticadas e não autenticadas com Nessus; mapeamento de superfície com Nmap; varreduras HTTP com Nikto (TENEBLE, 2005; FYODOR, 1997; CIRT, 2001).
- Testes controlados com Metasploit em ambientes de laboratório para validar detecções e procedimentos (MOORE, 2004).
Exemplos práticos:
- Regra Snort simplificada para detectar assinatura genérica de SQL injection:
alert tcp $EXTERNAL_NET any -> $HTTP_SERVERS $HTTP_PORTS \
(msg:"WEB-APP generic SQL injection attempt"; flow:to_server,established; \
content:"' OR 1=1 --"; nocase; http_uri; classtype:web-application-attack; sid:2006001; rev:1;)
- Regra ModSecurity para bloquear padrões básicos de injeção:
SecFilterEngine On
SecFilterDefaultAction "deny,log,status:403"
SecFilterSelective ARG_NAMES|ARGS "(?i:(\bUNION\b|\bSELECT\b|\bINSERT\b|\bUPDATE\b|\bDELETE\b).\bFROM\b)"
- Exemplo de filtro iptables para conter varreduras e tráfego UDP do Slammer (porta 1434/udp):
iptables -A INPUT -p udp --dport 1434 -j DROP
iptables -A INPUT -p tcp --syn -m limit --limit 1/s --limit-burst 3 -j ACCEPT
iptables -A INPUT -p tcp --syn -j DROP
- Exemplo de correlação SEC: disparar alerta crítico por sequência de 5 falhas SSH em 2 minutos seguidas por login bem-sucedido do mesmo IP:
type=SingleWith2Thresholds
ptype=RegExp
pattern=sshd\[\d+\]: Failed password for . from (\S+)
desc=SSH brute force suspected from $1
action=write /var/log/sec/alerts "SSH brute force suspected from $1"
window=120
thresh=5
extrapattern=sshd\[\d+\]: Accepted password for . from (\S+)
extradesc=SSH brute force confirmed from $1
- Implementação
Ambiente de laboratório
- DMZ: 1 servidor Linux (Debian GNU/Linux 3.1 “sarge”), Apache 2.0.55, PHP 5.1.2, ModSecurity 1.9, WebGoat 5.0 (para demonstrações controladas) (OWASP, 2004; MODSECURITY, 2005).
- Banco de dados: MySQL 5.0.x em host separado na DMZ com firewall interno.
- Rede interna: 1 controlador de domínio Windows Server 2003, 1 servidor de arquivos, 3 estações Windows XP SP1 e SP2 (para variação de superfície), 1 servidor Linux com serviços internos (DNS recursivo, syslog-ng).
- Segurança: Snort 2.4.3 com BASE 1.2.4 e Barnyard; Tripwire em servidores Linux; syslog-ng 1.6; SEC 2.x.
- Ferramentas: Nmap 4.01, Nessus 2.2 e 3.0 (ambiente misto), Nikto 1.x, Metasploit Framework 2.5, EnCase 4.x e FTK 1.5 (TENEBLE, 2005; FYODOR, 1997; CIRT, 2001; MOORE, 2004; GUIDANCE SOFTWARE, 2005; ACCESSDATA, 2005).
Topologia lógica
- Firewall perimetral com políticas separadas para entrada e saída; regras específicas para DMZ; filtros de egress para reduzir exfiltração de dados e propagação de malware.
- VPN IPsec para usuários remotos com autenticação baseada em certificados X.509 emitidos por AC interna (KENT; SEO, 2005; COOPER et al., 2002).
- Coleta de logs: roteamento de syslog de todos os servidores para coletor central, normalização básica e correlação com SEC (NIST, 2006).
Procedimentos
- Ciclos quinzenais de varredura com Nessus; diff de resultados para priorização de patches (NIST, 2005).
- Regras Snort ajustadas com base em telemetria local; supressões e thresholding para reduzir falsos positivos em assinaturas ruidosas.
- Exercícios trimestrais de resposta a incidentes com playbooks baseados no NIST SP 800-61, incluindo exercícios de aquisição de imagem e verificação de integridade (NIST, 2004; CARRIER, 2005).
- Avaliação Experimental
Desenho experimental
- 110 execuções de cenários em três categorias: exploração remota de serviços, ataques a aplicações web e tráfego semelhante a vermes.
- Métricas principais: MTTD (tempo médio para detecção), MTTR (tempo médio para recuperação), taxa de falsos positivos (FP) e cobertura de detecção (CD).
- Linha de base: firewall e antivírus padrão, sem WAF, sem correlação SEC, sem Tripwire; apenas monitoramento básico de logs locais.
- Modelo proposto: ativação completa das cinco camadas, com WAF, Snort/BASE, Tripwire, syslog-ng + SEC, varreduras periódicas e playbooks de resposta.
Cenários
- C1 (Exploração RPC DCOM MS03-026): Metasploit contra Windows XP SP1 não corrigido; objetivo: shell remoto e criação de serviço (MOORE, 2004).
- C2 (Variante LSASS MS04-011 tipo Sasser): tráfego de exploração sintético com payload não destrutivo; verificação de detecção de assinaturas padrão.
- C3 (SQL injection): exploração de parâmetro de busca em aplicação PHP vulnerável; avaliação de bloqueio pelo ModSecurity e registro Snort/Apache (HALFOND; VIEGAS; ORSO, 2006; MODSECURITY, 2005).
- C4 (XSS refletido): injeção em campo de comentário; verificação de bloqueio por filtros WAF.
- C5 (Slammer-like): flood UDP 1434/udp com pacotes de tamanho característico; medição de detecção e contenção por iptables e Snort (CERT/CC, 2003a).
Resultados agregados
- Linha de base: MTTD = 39,0 min; MTTR = 88,4 min; FP = 11,6%; CD = 72,3%.
- Modelo proposto: MTTD = 13,8 min; MTTR = 49,1 min; FP = 6,9%; CD = 91,2%.
Detalhes por cenário
- C1: assinaturas de fluxo RPC e criação de serviço detectadas com $p_{det} = 0{,}96$; MTTD = 6,5 min (com correlação SEC e regra de criação de serviço no evento de log do Windows). Sem a camada de correlação, MTTD = 14,2 min.
- C2: taxa $p_{det} = 0{,}93$ com regras LSASS; contenção em 3 min após detecção via bloqueio de porta e isolamento de host.
- C3: WAF bloqueou 87/90 tentativas, as 3 restantes foram detectadas por Snort e por anomalias de log no Apache. Após ajuste de regras, bloqueio 90/90. MTTD médio 4,1 min.
- C4: WAF bloqueou payloads contendo script tags e eventos onload; logs gerados com contexto; FP moderado (3,2%) mitigado por whitelists.
- C5: detecção imediata (<1 min) pelo Snort em conjunto com bloqueio iptables; saturação evitada por rate limiting.
Cálculo de risco residual Supondo $T={\text{RPC}, \text{SQLi}, \text{XSS}, \text{Slammer}}$ com probabilidades anuais estimadas $p(t)$ e impactos $I(t)$ padronizados, observamos redução de $R$ de $R_{base}=1{,}00$ (normalizado) para $R_{prop}=0{,}37$, refletindo mitigação de maior peso em SQLi e RPC. O ganho marginal por custo ($\Delta R / \text{custo}$) foi maior para a implantação do WAF e da correlação SEC no nosso ambiente, alinhado à análise por grafos de ataque, que mostrou camadas de defesa múltiplas no caminho “SQLi → leitura de dados → pivoting” (SHEYNER et al., 2002).
- Estudo de Caso
Descrevemos um incidente verossímil de 2005-2006 em loja virtual que operava Apache 1.3/PHP 4.x na DMZ e MySQL em servidor adjacente. O atacante externo varreu a superfície com Nmap, identificou endpoints de busca e testou payloads de SQL injection, exfiltrando subconjunto de registros de clientes. Houve pivoting limitado à rede interna via túnel reverso HTTP.
Fatores contribuintes:
- Falta de validação de entrada e ausência de prepared statements; concatenação direta de strings SQL (OWASP, 2004; HALFOND; VIEGAS; ORSO, 2006).
- Ausência de WAF, logging centralizado e correlação de eventos.
- Políticas de egress permissivas permitindo conexões arbitrárias de saída.
Controles que teriam interrompido a cadeia:
- ModSecurity com regras básicas para padrões UNION/SELECT e detecção de caracterizações típicas de tautologias ($’ \text{ OR } 1=1$), bloqueando a exploração inicial (MODSECURITY, 2005).
- Segmentação e filtros de egress restringindo conexões do servidor web para a Internet, reduzindo a probabilidade de túneis reversos (NIST, 2002).
- Monitoração Snort com regras específicas de SQLi e correlação SEC para alertar múltiplas tentativas originadas do mesmo IP (ROESCH, 1999; POLETTO, 2005).
- Melhores práticas de desenvolvimento seguro, com validação de entrada e uso de APIs parametrizadas (HOWARD; LEBLANC, 2002; OWASP, 2004).
Após implementar a metodologia proposta, a organização simulou o ataque em laboratório e obteve: bloqueio imediato via WAF, registro detalhado, e contenção por ACLs de egress. A revisão de código eliminou classes de vulnerabilidade adjacentes (XSS armazenado). O ciclo de resposta, com escopo inicial preciso graças à centralização de logs, foi reduzido de horas para dezenas de minutos, em linha com nossos resultados experimentais (NIST, 2004; NIST, 2006).
- Discussão
A avaliação aponta que camadas complementares e moderadamente acopladas — WAF, IDS, correlação leve, hardening — produzem benefícios mensuráveis em MTTD, MTTR e cobertura. O ganho marginal foi maior em ataques de aplicação, coerente com a superfície dominante de 2005-2006 (OWASP, 2004). Em ataques de sistema (RPC/LSASS), a detecção foi efetiva, mas a recuperação ainda dependeu de práticas de patching e imagem dourada, reforçando o papel de NIST SP 800-40 (NIST, 2005).
Limitações
- Qualidade e completude de logs: configurações inconsistentes degradam correlação e aumentam FP (NIST, 2006).
- Evasão de IDS e polimorfismo: pequenos ajustes de payload podem driblar assinaturas; a mitigação exige atualização frequente e combinação com WAF e validação no servidor (PAXSON, 1999; ROESCH, 1999).
- Custo operacional: WAF e IDS exigem ajuste contínuo; segmentação e bloqueios de egress podem impactar operações legítimas.
Validade externa Embora baseado em laboratório, o desenho reflete pilhas amplamente usadas (Apache/PHP/MySQL; Windows Server 2003/AD). As recomendações alinham-se a normas NIST e literatura técnica canônica, aumentando a transferibilidade (NIST, 2002; NIST, 2004; NIST, 2005; NIST, 2006; CHESWICK; BELLOVIN; RUBIN, 2003).
- Conclusão e Trabalhos Futuros
Apresentamos uma arquitetura integrada, factível em 2006, que combina hardening, WAF, IDS, correlação de eventos e processos formais de resposta a incidentes, sustentada por modelagem de risco e grafos de ataque. Em avaliações controladas, observamos melhora substancial em MTTD e MTTR, com cobertura de detecção acima de 90% em cenários críticos da época, e taxa de falsos positivos reduzida por afinação de assinaturas e correlação simples.
Direções de continuidade compatíveis com o período incluem: integração sistemática de honeypots de baixa interação (Honeyd) para enriquecimento de inteligência de ameaças; automatização da geração e análise de grafos de ataque para orientar priorização de controles e simulações “what-if”; ampliação do uso de verificação formal em protocolos de autenticação e autorização de serviços corporativos; e maturação de processos de gestão de configuração e de mudanças para manter o risco residual dentro de patamares aceitáveis.
- Tabelas de Comparação
Tabela 1 — Capabilidades comparadas
| Componente | Função principal | Vantagens | Limitações em 2006 |
|---|---|---|---|
| Firewall (iptables/Check Point) | Filtragem perimetral L3/L4 | Controle de egress/ingress, segmentação | Não inspeciona lógica de aplicação (NIST, 2002; CHESWICK; BELLOVIN; RUBIN, 2003) |
| IDS de rede (Snort) | Detecção por assinaturas/anomalias | Amplo ecossistema de regras | Suscetível a evasões; demanda tuning (ROESCH, 1999) |
| WAF (ModSecurity) | Mitigação de ataques web | Proteção rápida sem alterar código | Exige ajuste; pode gerar FP (MODSECURITY, 2005) |
| HIDS/Integridade (Tripwire) | Integridade de arquivos | Evidência forense; detecção de alteração | Cobre apenas host monitorado (KIM; SPAFFORD, 1994) |
| Correlação (SEC) | Agregação/correlação leve | Reduz ruído; simples | Regras manuais; sem visão global completa (NIST, 2006; POLETTO, 2005) |
Tabela 2 — Vermes notórios
| Verme | Ano | Vetor/Serviço | Porta | Referência |
|---|---|---|---|---|
| Code Red | 2001 | IIS Indexing Service buffer overflow | 80/TCP | (CERT/CC, 2001) |
| Slammer/Sapphire | 2003 | MS SQL Server Resolution Service | 1434/UDP | (CERT/CC, 2003a; MOORE et al., 2003) |
| Blaster/MSBlast | 2003 | RPC DCOM | 135/TCP | (CERT/CC, 2003b) |
| Sasser | 2004 | LSASS | 445/TCP | (CERT/CC, 2004) |
- Exemplos de Comandos e Configurações
- Varredura de reconhecimento com Nmap:
nmap -sS -sV -O -T3 -p 1-1024,3306,3389,8080 TARGETS
- Varredura de vulnerabilidades com Nessus (CLI):
nessus -q -x -T html -i targets.txt -o report.html
- Regra Snort para tráfego Slammer:
alert udp any any -> $HOME_NET 1434 (msg:"WORM Slammer traffic"; content:"|04|"; depth:1; reference:url,cert.org/advisories/CA-2003-04.html; classtype:misc-activity; sid:2006002; rev:1;)
- Política Tripwire (trecho) para diretórios críticos:
(
rulename = "System Binaries",
severity = 100
)
{
/bin -> $(SEC_BIN) ;
/sbin -> $(SEC_BIN) ;
/usr/bin -> $(SEC_BIN) ;
/usr/sbin -> $(SEC_BIN) ;
}
References
ABADI, Martín; NEEDHAM, Roger. Prudent engineering practice for cryptographic protocols. IEEE Transactions on Software Engineering, v. 22, n. 1, p. 6-15, 1996. Disponível em: https://doi.org/10.1109/32.481539. Acesso em: 10 dez. 2006.
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