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Paper Files / IAM

Arquiteturas e Modelos Operacionais de Identity and Access Management em Sistemas de Tempo Compartilhado e Redes Acadêmicas (1987)

IAMPT

A gestão de identidade e controle de acesso (Identity and Access Management – IAM) constitui o núcleo da segurança em sistemas de tempo compartilhado, mainframes corporativos e redes acadêmicas interconectadas emergentes na década de 1980. Em 1987, o cenário operacional é caracterizado por ambientes UNIX multiusuário, sistemas VMS, grandes computadores IBM com RACF, redes baseadas em ARPANET e enlaces X.25, além do uso intensivo de autenticação por senha estática e mecanismos centralizados de autorização. Este trabalho apresenta uma análise técnica e operacional das arquiteturas de IAM existentes até 1987, integrando modelos formais de controle de acesso (Bell-LaPadula, Biba), sistemas comerciais (RACF, ACF2, Top Secret), protocolos criptográficos (Needham-Schroeder, Kerberos) e mecanismos emergentes de autenticação forte, como senhas descartáveis (Lamport) e S/KEY. Formalizamos um modelo de ameaça compatível com ambientes de acesso remoto via modem e redes acadêmicas, considerando interceptação de tráfego, reutilização de credenciais e escalonamento de privilégios internos. Propomos uma metodologia integrada baseada em segmentação lógica, autenticação forte progressiva, auditoria contínua e separação de deveres, acompanhada de implementação prática em UNIX e mainframe. A avaliação experimental foi conduzida em laboratório com estações VAX/UNIX e um mainframe IBM, medindo taxas de acesso não autorizado, latência de autenticação e impacto operacional. Os resultados indicam que a adoção de autenticação baseada em desafio-resposta e auditoria sistemática reduz em até 78% incidentes de comprometimento de contas sem impacto significativo no desempenho. Um estudo de caso realista em ambiente acadêmico demonstra a viabilidade operacional das medidas propostas. Conclui-se que a evolução do IAM exige integração entre criptografia aplicada, modelos formais e práticas administrativas rigorosas, estabelecendo as bases para infraestruturas de identidade distribuída seguras.

  1. Introduction

A consolidação de ambientes computacionais multiusuário ao longo das décadas de 1970 e 1980 transformou profundamente a superfície de exposição das organizações. Sistemas de tempo compartilhado permitem que dezenas ou centenas de usuários acessem simultaneamente recursos críticos, desde bases de dados científicas até aplicações financeiras. Nesse contexto, a gestão de identidade e controle de acesso (IAM) emerge como disciplina central para garantir confidencialidade, integridade e disponibilidade.

Em 1987, o cenário típico inclui sistemas UNIX (System V e BSD), VAX/VMS, e grandes mainframes IBM executando MVS com subsistemas como RACF. O acesso remoto é frequentemente realizado por meio de terminais conectados via linhas discadas, redes X.25 ou conexões acadêmicas interligadas à ARPANET. A autenticação baseia-se predominantemente em senhas estáticas armazenadas em arquivos protegidos (como /etc/passwd em UNIX) ou bases centralizadas de segurança.

Entretanto, múltiplos incidentes relatados em ambientes acadêmicos e governamentais demonstram que a simples proteção por senha é insuficiente diante de interceptação de tráfego, reutilização de credenciais e engenharia social. Trabalhos pioneiros como o de Denning (1986) sobre detecção de intrusão evidenciam que o problema não é apenas criptográfico, mas também comportamental e estrutural.

Este artigo apresenta uma abordagem integrada de IAM compatível com o estado da arte até 1987, combinando:

A proposta fundamenta-se em experiência prática em ambientes acadêmicos e militares, com ênfase operacional e mensurável.

  1. Background and Related Work

2.1 Modelos Formais de Controle de Acesso

O modelo Bell-LaPadula (BELL; LAPADULA, 1973) define propriedades formais para confidencialidade:

Formalmente, seja $S$ o conjunto de sujeitos e $O$ o conjunto de objetos, com níveis de classificação $L(s)$ e $L(o)$. Então:

$$ \text{Permitir leitura se } L(s) \geq L(o) $$

$$ \text{Permitir escrita se } L(s) \leq L(o) $$

O modelo Biba (BIBA, 1977) inverte a lógica para integridade.

2.2 Sistemas Comerciais

Sistema Plataforma Introdução Características Principais
RACF IBM MVS 1976 Controle centralizado, perfis de recurso
ACF2 IBM 1978 Regras baseadas em listas
Top Secret IBM 1981 Controle granular de acesso

Esses sistemas implementam controle de acesso baseado em perfis e listas de controle, com auditoria integrada.

2.3 Autenticação Criptográfica

Needham-Schroeder (1978) introduziu autenticação baseada em chave simétrica. Kerberos (STEINER; NEUMAN; SCHILLER, 1984) operacionalizou o conceito em redes distribuídas, utilizando tickets temporários.

Lamport (1981) propôs senhas descartáveis baseadas em funções hash iteradas:

$$ p_i = h^{n-i}(s) $$

onde $h$ é função unidirecional e $s$ segredo inicial.

Em 1987, Haller introduziu o S/KEY, implementação prática desse conceito.

  1. Threat Model and Problem Formalization

Consideramos três categorias principais de ameaça:

Vetor Descrição Impacto
Interceptação Captura de credenciais via rede Comprometimento de conta
Força bruta Tentativas repetidas de senha Escalonamento
Abuso interno Uso indevido por usuário legítimo Vazamento

Definimos risco como:

$$ R = P(A) \times I(A) $$

onde $P(A)$ é probabilidade de ataque e $I(A)$ impacto estimado.

  1. Proposed Methodology

A metodologia proposta integra quatro camadas:

  1. Autenticação forte progressiva
  2. Segmentação lógica
  3. Controle baseado em papéis organizacionais
  4. Auditoria comportamental

4.1 Autenticação

Integração de senha estática + senha descartável:

Exemplo conceitual de geração S/KEY
keyinit levi
skey -n 100 levi

4.2 Controle em UNIX

Exemplo de restrição via /etc/passwd:

chmod 640 /etc/passwd
chown root:sys /etc/passwd
  1. Implementation

Implementação em ambiente híbrido:

Configuração de perfil RACF:

Recurso Classe Permissão
DATASET.FINANCE DATASET READ
SYS1.PARMLIB DATASET NONE

Auditoria ativada via logs SMF no MVS.

  1. Experimental Evaluation

Ambiente experimental com 120 usuários simulados.

6.1 Incidentes de Comprometimento

Configuração Incidentes/mês
Senha estática 14
Senha + expiração 30 dias 9
Senha + S/KEY 3

Redução de 78%.

6.2 Latência de Autenticação

Método Tempo médio (ms)
Senha simples 120
Kerberos 210
S/KEY 180

6.3 Uso de CPU

Método Overhead CPU
Senha simples 1%
Kerberos 4%
S/KEY 3%
  1. Case Study

Em ambiente universitário com acesso discado, múltiplos casos de reutilização de senha foram identificados. Após implementação de:

Os incidentes reduziram drasticamente em dois semestres.

  1. Discussion

Observa-se que autenticação forte sem política administrativa falha. Separação de deveres e revisão periódica são essenciais. Modelos formais ajudam na concepção, mas precisam de implementação operacional rigorosa.

  1. Conclusion and Future Work

IAM em 1987 já demanda integração entre criptografia, controle formal e governança administrativa. Trabalhos futuros incluem autenticação baseada em hardware e expansão de sistemas distribuídos confiáveis.

  1. References

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