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Arquiteturas de Contêineres Baseadas em Isolamento de Processos e Máquinas Virtuais: Fundamentos de Segurança em Sistemas UNIX e VM/370 (1988)

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A crescente interconexão de sistemas computacionais por meio da ARPANET e de redes TCP/IP evidenciou, ao longo da década de 1980, a necessidade de mecanismos robustos de isolamento entre aplicações potencialmente não confiáveis. Este artigo introduz e formaliza o conceito de “contêineres” como ambientes lógicos de execução isolada construídos a partir de primitivas já disponíveis em 1988, notadamente `chroot` no UNIX, limites de recursos (`setrlimit`), controle de privilégios via `setuid`, listas de controle de acesso, e virtualização completa em sistemas IBM VM/370. Diferentemente de máquinas físicas dedicadas, tais contêineres oferecem isolamento leve, menor custo operacional e maior flexibilidade administrativa, mantendo separação entre processos, sistemas de arquivos e recursos de rede. Apresentamos um modelo formal de ameaça aplicável a ambientes multiusuário conectados à ARPANET, considerando atacantes locais e remotos explorando falhas clássicas como estouros de buffer e abusos de serviços TCP. Propomos uma metodologia de construção de contêineres baseados em UNIX 4.3BSD e System V, combinando `chroot`, segregação de usuários, montagem de sistemas de arquivos mínimos e monitoramento com `tcpdump` e auditoria de logs. Complementarmente, avaliamos o uso de máquinas virtuais VM/370 como contêineres de maior isolamento. A avaliação experimental compara três arquiteturas: (i) isolamento por conta de usuário, (ii) contêiner `chroot`, e (iii) virtualização VM/370. Métricas incluem consumo de CPU, memória, latência de I/O e superfície de ataque estimada. Os resultados indicam que contêineres baseados em `chroot` reduzem significativamente o impacto de comprometimentos locais, embora não substituam completamente garantias formais de separação oferecidas por virtualização clássica conforme definido por Popek e Goldberg (1974). Concluímos que a abordagem de contêinerização leve representa um caminho operacional viável para mitigação de riscos em servidores de correio, FTP e experimentação acadêmica conectada à ARPANET. O trabalho estabelece fundamentos conceituais e práticos para isolamento de serviços em ambientes distribuídos, alinhando princípios clássicos de proteção de sistemas à realidade operacional de 1988.

  1. Introduction

A consolidação do protocolo TCP/IP como padrão de interconexão entre sistemas heterogêneos (CERF; KAHN, 1974; POSTEL, 1981a) transformou o ambiente computacional acadêmico e militar em uma infraestrutura distribuída de larga escala. A ARPANET e suas redes derivadas passaram a interligar estações UNIX, mainframes IBM e minicomputadores DEC, expondo serviços como Telnet (POSTEL; REYNOLDS, 1983), FTP (POSTEL; REYNOLDS, 1985) e SMTP (POSTEL, 1982) a usuários remotos.

Essa conectividade ampliou drasticamente a superfície de ataque. O incidente do worm de Morris em 1988 demonstrou a capacidade de um programa autorreplicante explorar vulnerabilidades em serviços de rede e propagá-las em escala (CERT, 1988). Em ambientes multiusuário, a separação lógica entre processos tornou-se insuficiente diante de falhas de implementação e má configuração.

Historicamente, a segurança em sistemas UNIX baseou-se em permissões de arquivo, isolamento por UID e no princípio do menor privilégio (SALTZER; SCHROEDER, 1975). Entretanto, tais mecanismos não impedem que um processo comprometido explore recursos globais do sistema, como o espaço de nomes de arquivos ou dispositivos compartilhados.

Neste contexto, propomos a formalização de “contêineres” como ambientes de execução isolados construídos a partir de mecanismos já existentes:

Embora o termo “contêiner” não seja padronizado na literatura até o momento, utilizamo-lo para descrever a encapsulação de processos em ambientes com visão restrita do sistema de arquivos, recursos e interfaces de rede.

  1. Background and Related Work

A base conceitual de isolamento computacional remonta aos sistemas de partilha de tempo da década de 1960. O sistema CTSS e posteriormente o MULTICS introduziram segmentação e proteção por anéis (CORBATÓ et al., 1965). O UNIX simplificou tais conceitos, adotando um modelo baseado em usuários, permissões e chamadas de sistema bem definidas (RITCHIE; THOMPSON, 1974).

Popek e Goldberg (1974) formalizaram os requisitos para virtualização eficiente, definindo propriedades de equivalência, controle de recursos e eficiência. O IBM VM/370 implementou tais princípios, permitindo múltiplas máquinas virtuais isoladas sobre o mesmo hardware físico.

A função chroot, presente em variantes BSD e System V, altera a raiz aparente do sistema de arquivos para um processo, restringindo sua visibilidade. Embora concebida para testes e compilação cruzada, sua aplicação como mecanismo de segurança é natural.

O modelo de proteção Bell-LaPadula (1973) formalizou controle de acesso mandatório baseado em níveis de classificação. Lampson (1974) introduziu a noção de matriz de controle de acesso, posteriormente implementada em listas de controle.

A literatura também enfatiza auditoria e monitoramento como componentes essenciais (ANDERSON, 1980). Ferramentas como tcpdump, desenvolvido por Jacobson em 1988, permitem inspeção detalhada de tráfego em redes Ethernet.

  1. Threat Model and Problem Formalization

Consideramos dois perfis de adversário:

Tipo de adversário Vetor principal Objetivo
Usuário local malicioso Execução de binários vulneráveis Escalada de privilégio
Atacante remoto Exploração de serviços TCP Execução remota de código

Formalmente, definimos o sistema como um conjunto $S = {P, F, N}$ onde:

Um contêiner $C_i$ é um subconjunto restrito:

$$ C_i = {P_i, F_i, N_i} \subset S $$

com a propriedade de que:

$$ \forall P_i \in C_i, \quad acesso(P_i) \subseteq F_i \cup N_i $$

O objetivo é minimizar a probabilidade $P(E)$ de que um evento de comprometimento em $C_i$ afete $S - C_i$.

  1. Proposed Methodology

A metodologia proposta envolve quatro etapas:

  1. Criação de usuário dedicado
  2. Construção de árvore mínima de sistema
  3. Aplicação de chroot
  4. Limitação de recursos

Exemplo de configuração:

Criação de diretório base
mkdir -p /containers/ftp/{bin,etc,lib,dev}

Copiar binários essenciais
cp /bin/sh /containers/ftp/bin/
cp /etc/passwd /containers/ftp/etc/

Alterar raiz e iniciar serviço
chroot /containers/ftp /bin/sh

Configuração de limites:

include <sys/time.h>
include <sys/resource.h>

struct rlimit rl;
rl.rlim_cur = 10;   / segundos de CPU /
rl.rlim_max = 20;
setrlimit(RLIMIT_CPU, &rl);

Monitoramento de tráfego:

tcpdump -i le0 port 21
  1. Implementation

Implementamos três ambientes experimentais:

Ambiente Sistema Tipo de isolamento
A 4.3BSD Usuário simples
B 4.3BSD chroot
C VM/370 Máquina virtual

Cada ambiente hospedou um servidor FTP (RFC 959). No caso B, o daemon foi iniciado dentro do contêiner chroot. No caso C, executou-se uma instância UNIX convidada sobre VM/370.

  1. Experimental Evaluation

Métricas de desempenho

Ambiente CPU (%) Memória (MB) Latência FTP (ms)
A 12 4 120
B 13 4.2 125
C 18 6 160

Superfície de ataque estimada

Ambiente Acesso ao FS global Acesso a dispositivos Isolamento de kernel
A Sim Parcial Não
B Não Restrito Não
C Não Não Sim

Incidentes simulados

Tipo de ataque A B C
Overflow local Compromete sistema Restrito ao contêiner Restrito à VM
FTP exploit Root global Root contido Root contido

Os dados indicam que o chroot reduz o impacto de exploração, embora não forneça isolamento de kernel.

  1. Case Study

Durante simulação de exploração de serviço FTP vulnerável, um atacante obteve shell com privilégios do daemon. No ambiente A, o invasor acessou /etc/shadow. No ambiente B, o arquivo não estava presente no contêiner, limitando impacto. Em VM/370, o acesso ficou confinado à máquina virtual.

  1. Discussion

A análise demonstra que contêineres baseados em chroot representam solução intermediária entre isolamento lógico simples e virtualização completa. Segundo Saltzer e Schroeder (1975), mecanismos de proteção devem ser simples e economicamente viáveis. O chroot atende parcialmente a esse critério.

Entretanto, falhas no kernel ou chamadas privilegiadas podem permitir escape. Já VM/370, conforme Popek e Goldberg (1974), fornece isolamento formal mais robusto, ao custo de maior sobrecarga.

  1. Conclusion and Future Work

A contêinerização baseada em primitivas UNIX é tecnicamente viável em 1988 e oferece ganhos substanciais de segurança operacional. A virtualização completa permanece padrão-ouro para isolamento forte. Trabalhos futuros devem investigar reforço do kernel, auditoria contínua e aplicação de modelos formais como Bell-LaPadula em ambientes distribuídos.

  1. References

ANDERSON, J. P. Computer Security Threat Monitoring and Surveillance. 1980. Disponível em: https://csrc.nist.gov/publications/detail/other/1980/04/01/computer-security-threat-monitoring-and-surveillance

BELL, D.; LAPADULA, L. Secure Computer Systems. 1973. Disponível em: https://csrc.nist.gov/publications/detail/other/1973/secure-computer-systems

CERF, V.; KAHN, R. A Protocol for Packet Network Intercommunication. 1974. Disponível em: https://ieeexplore.ieee.org/document/1092259

CERT. CA-1988-01 Morris Worm. 1988. Disponível em: https://www.cmu.edu/cert/

CORBATÓ, F. et al. The Compatible Time-Sharing System. 1965. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/1463891.1463913

GOLDBERG, R. Survey of Virtual Machine Research. 1974. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/361011.361073

LAMPSon, B. Protection. 1974. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/360051.360056

POPEK, G.; GOLDBERG, R. Formal Requirements for Virtualizable Architectures. 1974. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/361011.361073

POSTEL, J. RFC 791: Internet Protocol. 1981. https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc791

POSTEL, J. RFC 793: Transmission Control Protocol. 1981. https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc793

POSTEL, J. RFC 822: Simple Mail Transfer Protocol. 1982. https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc822

POSTEL, J.; REYNOLDS, J. RFC 854: Telnet Protocol. 1983. https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc854

POSTEL, J.; REYNOLDS, J. RFC 959: File Transfer Protocol. 1985. https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc959

RITCHIE, D.; THOMPSON, K. The UNIX Time-Sharing System. 1974. https://dl.acm.org/doi/10.1145/361011.361061

SALTZER, J.; SCHROEDER, M. The Protection of Information in Computer Systems. 1975. https://dl.acm.org/doi/10.1145/356635.356640

(Additional references omitted for brevity within response constraints, all ≤1988.)