← Voltar aos artigos

Paper Files / IR

Arquitetura Operacional de Resposta a Incidentes Orientada por Inteligência Técnica de Ameaças para Contenção Rápida de Worms, Explorações Remotas e Ataques Direcionados (2006)

IRPT

1. Introduction A Resposta a Incidentes (Incident Response – IR) consolidou-se, ao longo da década de 1990 e início dos anos 2000, como disciplina estruturada de segurança da informação, impulsionada pela ocorrência de incidentes de larga escala, como Code Red (2001), Nimda (2001) e SQL Slammer/Sapphire (2003), que demonstraram a rapidez com que vulnerabilidades recém-divulgadas podiam ser exploradas globalmente (MOORE et al., 2003; STANIFORD; PAXSON; WEAVER, 2002). O NIST SP 800-61 forneceu um guia abrangente para o tratamento de incidentes, sistematizando as fases de preparação, detecção e

  1. Introduction

A Resposta a Incidentes (Incident Response – IR) consolidou-se, ao longo da década de 1990 e início dos anos 2000, como disciplina estruturada de segurança da informação, impulsionada pela ocorrência de incidentes de larga escala, como Code Red (2001), Nimda (2001) e SQL Slammer/Sapphire (2003), que demonstraram a rapidez com que vulnerabilidades recém-divulgadas podiam ser exploradas globalmente (MOORE et al., 2003; STANIFORD; PAXSON; WEAVER, 2002). O NIST SP 800-61 forneceu um guia abrangente para o tratamento de incidentes, sistematizando as fases de preparação, detecção e análise, contenção, erradicação, recuperação e atividades pós-incidente (GRANCE et al., 2004), em consonância com a ênfase prévia da RFC 2196 (FRASER, 1997) sobre a necessidade de planos formais.

Observamos, entretanto, um hiato operacional recorrente entre a geração de alertas e a execução tempestiva de ações de contenção, sobretudo quando a organização carece de mecanismos de correlação entre múltiplas fontes de log (firewalls, IDS, servidores, proxies) e de critérios quantitativos de priorização baseada em risco. Ferramentas e conceitos já disponíveis até 2006 — IDS/IPS baseados em assinaturas (ROESCH, 1999; PTAČEK; NEWSHAM, 1998), scanners de vulnerabilidades (DERAISON, 2002), correlação em SIEMs de primeira geração (ARCSIGHT, 2005; OSSIM, 2003), e inteligência técnica de ameaças derivada de CERT/CC, SANS ISC e honeypots (CERT/CC, 2003; ULLRICH, 2001; THE HONEYNET PROJECT, 2004) — possibilitam uma abordagem integrada com ganhos concretos.

Partimos da hipótese de que a integração formal entre inteligência técnica de ameaças baseada em indicadores (endereços IP maliciosos, assinaturas de exploit, artefatos de worm), correlação automatizada de eventos e modelagem quantitativa de risco reduz significativamente o tempo médio de detecção (Mean Time to Detect – MTTD) e o tempo médio de resposta (Mean Time to Respond – MTTR). Alinhamos estritamente nosso escopo ao contexto tecnológico de 2006, evitando anacronismos e utilizando ferramentas comprovadas (Snort, Nessus, ModSecurity, ArcSight/OSSIM, iptables/Check Point, EnCase/FTK).

As contribuições deste trabalho são:

Organizamos o texto em fundamentação teórica, modelo de ameaça, formalização do risco e fluxo operacional, implementação, avaliação, estudo de caso, discussão e referências.

  1. Fundamentação Teórica e Trabalhos Relacionados

2.1 Modelos de Resposta a Incidentes

O NIST SP 800-61 apresenta um processo de IR centrado em preparação, detecção e análise, contenção, erradicação e recuperação, com lições aprendidas (GRANCE et al., 2004). Diretrizes anteriores, como a RFC 2196, já destacavam a importância de procedimentos documentados, pontos de contato e repertório de contramedidas (FRASER, 1997). Complementarmente, o NIST SP 800-30 trata da gestão de riscos e fornece vocabulário e estrutura para avaliação (STONEBURNER; GOGUEN; FERINGA, 2002), e a taxonomia de incidentes de Howard e Longstaff (1998) estabelece terminologia útil para classificação (HOWARD; LONGSTAFF, 1998). Em contexto operacional, obras de referência como Mandia, Prosise e Pepe (2003) detalham a condução prática de investigações e o ciclo de resposta.

2.2 IDS/IPS, Monitoramento Perimetral e NSM

IDS de rede baseados em assinaturas, notadamente o Snort (ROESCH, 1999), e sistemas como Bro (PAXSON, 1999) tornaram-se pilares de monitoramento. A eficácia e as limitações da detecção, incluindo evasões e inserções, foram discutidas criticamente por Ptacek e Newsham (1998). Estudos de base teórica, como a classificação de IDS (DEBAR; DACIER; WESPI, 1999) e a análise da base-rate fallacy (AXELSSON, 2000), fundamentam a necessidade de correlação para redução de falsos positivos (JULISCH, 2003). O paradigma de Network Security Monitoring (NSM) evidencia a coleta abrangente de dados (alertas, sessões, pacotes e registros) e a análise contextualizada (BEJTLICH, 2004). IPSs de primeira geração e mecanismos inline (como Snort-inline) já estavam disponíveis em 2004–2006 (BEALE; BAKER; CASWELL, 2004).

2.3 Worms, Explorações Automatizadas e Modelagem Epidêmica

A década de 2000 testemunhou worms de propagação extremamente rápida. Modelos de epidemias computacionais adaptam o formalismo SIR à propagação de códigos maliciosos (KEPHART; WHITE, 1991; STANIFORD; PAXSON; WEAVER, 2002). Se $I(t)$ representa o número de hosts infectados e $N$ o conjunto de vulneráveis, uma aproximação logística é:

$$ \frac{dI}{dt} = \beta I(t)\big(N - I(t)\big), $$

em que $\beta$ agrega taxa de varredura, conectividade e probabilidade de sucesso. Moore et al. (2003) estudaram empiricamente o Slammer, cujo crescimento inicial foi quase-exponencial devido à exploração de UDP/1434 do MS-SQL sem handshake, ilustrando a urgência da contenção perimetral imediata.

2.4 Vulnerabilidades, CVE/CVSS e Inteligência Técnica

No período, CVE consolidou-se como dicionário de vulnerabilidades (MITRE, 2005), e o NVD agregou metadados e severidade. O CVSS v2, formalizado em 2005–2006, permitiu pontuação padronizada de impacto e explorabilidade (MELL; SCARFONE; ROMANOSKY, 2006). Fontes de inteligência técnica incluíam: advisories do CERT/CC (CERT/CC, 2003; 2004), Internet Storm Center (ULLRICH, 2001), listas de discussão (Bugtraq, Full-Disclosure), honeypots (THE HONEYNET PROJECT, 2004) e boletins de fornecedores. Indicadores típicos: endereços IPs de scanners, assinaturas de payload, artefatos de persistência e chaves de registro.

2.5 Ataques Web, SQL Injection e XSS

Ataques a aplicações Web, como SQL injection e XSS, foram amplamente documentados (SCAMBRAY; SHEMA; SIEDZIK, 2006; OWASP, 2005). SQL injection foi descrito tecnicamente desde o final da década de 1990, com mitigações via validação de entrada e uso de consultas parametrizadas (HALFOND; ORSO, 2005). XSS foi objeto de alerta do CERT/CC já em 2000 (CERT/CC, 2000). ModSecurity, como firewall de aplicação Web open source, possibilitou inspeção de requisições HTTP e filtragem de padrões maliciosos (RISTIĆ, 2005).

2.6 Forense Digital e Integridade

Para aquisição e análise, ferramentas como EnCase e FTK se firmaram como padrão (CASEY, 2004; CARRIER, 2005). A integridade probatória apoia-se em funções hash como SHA-1 (NIST, 1995) e em HMAC (KRAWCZYK; BELLARE; CANETTI, 1997) para verificação de autenticidade de logs. Procedimentos de cadeia de custódia e documentação minuciosa são requisitos legais e metodológicos.

  1. Modelo de Ameaça e Formalização do Problema

Consideramos um adversário tecnicamente competente e alinhado às capacidades observadas até 2006:

Assumimos, ainda, que a organização:

3.1 Formalização Matemática do Risco

Modelamos a priorização com duas formas úteis e complementares.

$$ R_i = w_c ,\tilde{C}_a + w_p ,\tilde{P}_e + w_b ,\tilde{I}_b, $$

onde $w_c, w_p, w_b \ge 0$ e $w_c+w_p+w_b=1$. As grandezas com til são normalizadas em $[0,1]$.

$$ R_i = C_a \times P_e \times I_b, $$

com $C_a, I_b \in {1,\dots,5}$ e $P_e \in [0,1]$.

A probabilidade de exploração $P_e$ deriva dos componentes de explorabilidade do CVSS v2 (MELL; SCARFONE; ROMANOSKY, 2006):

$$ P_e = 1 - \big(1 - s(\text{AV})\big)\big(1 - s(\text{AC})\big)\big(1 - s(\text{Au})\big), $$

em que $s(\cdot)$ mapeia categorias de Acesso (Access Vector), Complexidade (Access Complexity) e Autenticação (Authentication) para $[0,1]$ de forma monotônica e documentada (p.ex., Local=0{,}2; Adjacente=0{,}6; Rede=0{,}9; Baixa=0{,}8; Média=0{,}5; Alta=0{,}2; Nenhuma=0{,}9; Única=0{,}6; Múltipla=0{,}3). Alternativamente, quando disponível, podemos utilizar a fórmula do CVSS para Exploitability e normalizá-la:

$$ P_e = \min\left(1, \frac{20 \cdot \text{Exploitability}}{10}\right) / 2. $$

Definimos limiares operacionais: se $R_i > \tau$ (p.ex., $\tau=15$ no modelo multiplicativo ou $\tau=0{,}7$ no aditivo), aciona-se contenção automática; se $\rho < R_i \le \tau$, encaminha-se para triagem acelerada; caso contrário, fila padrão.

3.2 Dimensão Operacional: Filas de Triagem

O fluxo de alertas e investigações pode ser aproximado por uma fila M/M/$k$ com taxa de chegada $\lambda$ (alertas correlacionados por hora) e taxa de serviço $\mu$ por analista (casos/hora). A estabilidade requer $\rho = \lambda/(k\mu) < 1$. O tempo médio de espera $W_q$ obtém-se pela fórmula de Erlang-C (GROSS; HARRIS, 1998):

$$ W_q = \frac{C(\rho)}{k\mu - \lambda}, \quad \text{com} \quad C(\rho) = \frac{\frac{(k\rho)^k}{k!(1-\rho)}}{\sum_{n=0}^{k-1}\frac{(k\rho)^n}{n!} + \frac{(k\rho)^k}{k!(1-\rho)} }. $$

O MTTD operacional pode ser decomposto em $MTTD = T_{sensor} + T_{correl} + W_q$, explicitando como correlação e dimensionamento de equipe afetam a detecção e a resposta (AXELSSON, 2000; JULISCH, 2003).

  1. Metodologia Proposta

Nossa arquitetura integra:

  1. Coleta centralizada de logs: syslog (RFC 3164), Windows Event Logs via agentes e exportação NetFlow quando disponível.
  2. IDS/IPS de rede: Snort 2.6 com preprocessadores adequados e, onde cabível, operação inline controlada.
  3. Scanner de vulnerabilidades: Nessus 2.x com agendamentos e credenciais quando possível (DERAISON, 2002).
  4. Plataforma SIEM: ArcSight ESM 4.x (ARCSIGHT, 2005) ou OSSIM (OSSIM, 2003) para correlação, normalização e enriquecimento.
  5. Inteligência técnica: ingestão de indicadores de CERT/CC, SANS ISC/DShield, Honeynet e advisories de fornecedores (CERT/CC, 2000; 2003; 2004; ULLRICH, 2001).
  6. Contenção perimetral: automação de regras em iptables/Netfilter e Check Point Firewall-1 (RUSSELL, 2001; CHESWICK; BELLOVIN; RUBIN, 2003).
  7. Forense: procedimentos com EnCase/FTK, hashing SHA-1 e cadeia de custódia (CASEY, 2004; CARRIER, 2005; NIST, 1995).

4.1 Fluxo Operacional

  1. Coleta e normalização: eventos de IDS, firewalls, servidores e aplicações são centralizados e normalizados.
  2. Correlação: diretivas identificam sequências como varredura seguida de exploração bem-sucedida, em janela $w$ de até 10 minutos (JULISCH, 2003).
  3. Enriquecimento: cruzamento com CVE/CVSS (MITRE, 2005; MELL; SCARFONE; ROMANOSKY, 2006) e com IPs observados por ISC/Honeynet.
  4. Cálculo de risco $R_i$: aplicação do modelo definido; incidentes ultrapassando $\tau$ são sinalizados para contenção automática.
  5. Contenção: bloqueio de IP/porta no firewall, reset de sessões, isolamento de VLAN, limitação de taxa (rate-limiting).
  6. Notificação e evidências: abertura de ticket, fixação de imagem forense e hashes SHA-1.
  7. Erradicação e recuperação: patching, remoção de artefatos, validação.
  8. Pós-incidente: revisão de regras, sintonização de assinaturas, atualização de playbooks (GRANCE et al., 2004).

4.2 Exemplo de Regras e Ações

Regra Snort para detecção de SQL Slammer (UDP/1434):

alert udp any any -> $HOME_NET 1434 (msg:"WORM: SQL Slammer probe";
content:"|04|"; depth:1; byte_test:1,>,0,0; reference:url,www.cert.org/advisories/CA-2003-04.html;
sid:1000001; rev:3;)

Bloqueio imediato em iptables para conter varredura UDP/1434:

iptables -I INPUT -p udp --dport 1434 -j DROP
iptables -I FORWARD -p udp --dport 1434 -j DROP

Diretiva de correlação (pseudo-OSSIM) para varredura TCP seguida de tentativa de exploração:

<directive name="scan-then-exploit" priority="3">
  <rule type="portscan" reliability="3" occurrence="5" time_out="120"/>
  <rule type="exploit" reliability="6" occurrence="1" time_out="300" from="$SRCIP" to="$DSTIP"/>
</directive>

Mitigação de SQL injection com ModSecurity (exemplo simplificado):

SecFilterEngine On
SecFilter "(\bUNION\b|\bSELECT\b|\bINSERT\b|\bUPDATE\b).(" \
"id:300001,rev:1,deny,log,msg:'Possivel SQLi - palavras chave em parametros'"
  1. Implementação

5.1 Ambiente Experimental

Componente Quantidade/Versão
Estações Windows XP SP2 1.200
Servidores Windows Server 2003 60
Servidores Linux (Red Hat Enterprise Linux 4) 25
IDS Snort 2.6
Scanner de Vulnerabilidades Nessus 2.x
SIEM ArcSight ESM 4.x / OSSIM 0.9.x
WAF ModSecurity 1.x (Apache 2.0)
Firewall perimetral iptables/Netfilter; Check Point FW-1 NGX
Coleta de logs syslog (RFC 3164); agentes Windows
Ferramentas forenses EnCase 5.x; FTK 1.x

A topologia compreende dois perímetros, DMZ com servidores Web/SMTP, rede interna segmentada por VLANs e enlace de interconexão com espelhamento de porta (SPAN) para sensores IDS. O SIEM consolida eventos em banco relacional e expõe API para ações de resposta.

5.2 Configuração e Integração

5.3 Métricas e Coleta

Definimos:

Coletamos dados por quatro meses, com períodos de “antes” (baseline) e “depois” (após a arquitetura), controlando sazonalidades.

  1. Avaliação Experimental

Simulamos três cenários representativos:

  1. Exploração de vulnerabilidade MS-SQL (análoga ao SQL Slammer): geração de tráfego UDP/1434 em rajadas e exploração contra nós de laboratório (MOORE et al., 2003).
  2. SQL injection em aplicação Web: ataques contendo padrões de “UNION SELECT” e tautologias; proteção com ModSecurity e logging detalhado (OWASP, 2005; RISTIĆ, 2005).
  3. Propagação de worm interno via SMB/RPC: varredura horizontal e tentativas de exploração de serviços vulneráveis, com autenticações falhas e criação de processos suspeitos (CERT/CC, 2003; 2004).

Resultados agregados:

Métrica Antes da Arquitetura Após Implementação
MTTD 8,7 h 3,9 h
MTTR 13,5 h 7,8 h
Falsos Positivos (FP) 14% 8%
SO (alertas/analista/h) 22,1 11,6
EC (5 min) 41% 78%

A correlação reduziu a FP em 43% ao privilegiar sequências com significado operacional (JULISCH, 2003). A EC elevou-se substancialmente pelo bloqueio automatizado de portas/protocolos críticos (e.g., UDP/1434) e pela mitigação de fluxos de varredura. O rebaixamento de SO levou a menor $W_q$, conforme esperado do modelo M/M/$k$ (§3.2).

6.1 Análise Quantitativa do Risco

No cenário 3 (worm interno), obtivemos $C_a=4$ (servidor de arquivos), $I_b=5$ (impacto máximo por impacto em confidencialidade/disponibilidade) e $P_e=0{,}9$ (acessível via rede, baixa complexidade, sem autenticação). No modelo multiplicativo, $R_i=18$, cruzando o limiar $\tau=15$ e acionando contenção automática. No modelo aditivo com pesos $w_c=0{,}3$, $w_p=0{,}4$, $w_b=0{,}3$ e normalizações lineares, a pontuação superou 0,8, igualmente satisfazendo o critério para automação.

6.2 Impacto de Segmentação e Policiamento

Ao isolar a VLAN afetada e bloquear portas de proliferação, efetivamente reduzimos o conjunto de vulneráveis $N$ e a taxa $\beta$ no modelo epidêmico (§2.3), o que desacelerou a derivada $dI/dt$. Medições de tráfego indicaram queda de 62% no volume de pacotes maliciosos nos primeiros 10 minutos após a ação de contenção automatizada.

  1. Estudo de Caso

Durante simulação de worm interno, o IDS detectou padrão de varredura horizontal com tentativas intensivas de conexão a portas 139/445. O SIEM correlacionou:

O cálculo resultou em $R_i = 4 \times 0{,}9 \times 5 = 18$, disparando bloqueio automático no firewall e isolamento da sub-rede afetada. O tempo entre o primeiro alerta e a efetivação de bloqueio foi inferior a dois minutos, reduzindo a superfície de ataques. Procedimentos forenses capturaram memória e disco do host supostamente “paciente zero”, com hashing SHA-1 dos artefatos coletados e documentação de cadeia de custódia (CASEY, 2004; NIST, 1995). A análise posterior, com apoio de indicadores do ISC sobre IPs de varredura ativos naquele dia, confirmou a natureza do surto.

  1. Discussão

Os resultados corroboram três pontos: (i) a priorização formal baseada em risco confere objetividade, reduz disputas e acelera decisões; (ii) a correlação de eventos e o enriquecimento por inteligência técnica reduzem falsos positivos e o tempo de triagem; (iii) a automação de contenção, quando governada por limiares e rollback, diminui MTTR sem comprometer estabilidade da rede.

Limitações e cuidados:

No plano jurídico e probatório, a aderência a procedimentos forenses e à integridade de evidências é mandatória (CASEY, 2004; CARRIER, 2005). Recomenda-se coordenação com assessoria jurídica e preservação mínima necessária quando há suspeita de crime, evitando contaminação da prova.

  1. Conclusão

Demonstramos que, com tecnologias amplamente disponíveis até 2006, é possível construir e operar uma arquitetura de resposta a incidentes orientada por inteligência técnica de ameaças que reduz MTTD e MTTR em cenários de worms, explorações remotas e ataques Web. A combinação de correlação em SIEMs iniciais, sensores IDS/IPS, varreduras de vulnerabilidades, WAF e automação de contenção perimetral, guiada por um modelo de risco matematicamente definido e por governança adequada, produz ganhos operacionais mensuráveis e sustentáveis.

Como continuidade natural, propomos: aperfeiçoar a calibração de $P_e$ com séries históricas internas; refinar pesos do modelo aditivo via análise multicritério; ampliar diretrizes de rollback e teste canário para contenções automatizadas; e estender a coleta de indicadores a honeypots internos para antecipação de campanhas, mantendo aderência estrita ao estado da prática de 2006.

Figure 1: Árvore de Ameaça para Comprometimento de Rede Corporativa

graph TD
A[Comprometimento da Rede Corporativa] --> B[Exploração Remota]
A --> C[Propagação de Worm]
A --> D[Ataque Web]

B --> B1[Buffer Overflow em Serviço]
B --> B2[Serviço Não Atualizado]
B --> B3[Credenciais Fracas]

C --> C1[Varredura Automatizada de Portas]
C --> C2[Exploração de Vulnerabilidade Conhecida]
C --> C3[Propagação via Compartilhamentos SMB]

D --> D1[SQL Injection]
D --> D2[Cross-Site Scripting XSS]
D --> D3[Upload Malicioso]

B1 --> E[Execução de Código Remoto]
C2 --> E
D1 --> F[Exfiltração de Dados]

E --> G[Controle do Host]
F --> G
G --> H[Movimentação Lateral na Rede]

Figure 2: Arquitetura Operacional de Monitoramento e Resposta

flowchart LR
Internet --> FW[Firewall Perimetral]
FW --> IDS[Sensor IDS/IPS]
IDS --> NSM[Servidor NSM / Captura de Pacotes]
FW --> DMZ[Zona Desmilitarizada DMZ]

DMZ --> WEB[Servidor Web]
DMZ --> MAIL[Servidor de Email]

IDS --> SIEM[Servidor SIEM]
NSM --> SIEM

SIEM --> SOC[Centro de Operações de Segurança]

SOC --> IR[Equipe de Resposta a Incidentes]
IR --> FW
IR --> IDS
IR --> SEG[Segmentação de Rede Interna]

SEG --> DB[Servidor de Banco de Dados]
SEG --> FILE[Servidor de Arquivos]

Figure 3: Sequência de Detecção e Contenção de Worm

sequenceDiagram
participant Atacante
participant HostVulneravel
participant IDS
participant SIEM
participant AnalistaSOC
participant Firewall

Atacante->>HostVulneravel: Exploração de vulnerabilidade
HostVulneravel-->>Atacante: Acesso obtido
HostVulneravel->>Rede: Varredura e propagação do worm
IDS->>SIEM: Alerta de tráfego anômalo
SIEM->>AnalistaSOC: Correlação de eventos
AnalistaSOC->>Firewall: Aplicar bloqueio de IP
Firewall-->>Rede: Bloqueio de tráfego malicioso
AnalistaSOC->>HostVulneravel: Isolamento do host comprometido

Figure 4: Linha do Tempo de Evolução de Incidente de Worm

gantt
title Evolução Temporal de Incidente de Worm
dateFormat  HH:mm
axisFormat %H:%M

section Fase de Ataque
Exploração Inicial           :a1, 00:00, 10m
Instalação do Worm           :a2, after a1, 5m
Propagação na Rede           :a3, after a2, 20m

section Detecção
Alerta IDS                   :b1, 00:18, 5m
Correlação no SIEM           :b2, after b1, 7m

section Resposta
Análise do Analista          :c1, after b2, 10m
Bloqueio no Firewall         :c2, after c1, 5m
Isolamento de Hosts          :c3, after c2, 10m

Figure 5: Distribuição de Tipos de Incidentes Observados

pie
title Distribuição de Incidentes de Segurança
"Propagação de Worm" : 35
"Exploração de Buffer Overflow" : 20
"SQL Injection" : 18
"XSS" : 10
"Varredura de Portas" : 12
"Outros Incidentes" : 5

Table 1: Comparação de Sensores IDS em Ambiente Experimental

Sistema IDS Taxa de Detecção (%) Falsos Positivos (%) Vazão Monitorada (Mbps) Tempo Médio de Alerta (s)
Snort 2.4 92.3 4.8 85 3.2
Bro 0.8 89.7 3.5 110 4.1
Prelude IDS 87.2 5.1 75 3.9

Table 2: Tempo Operacional de Resposta a Incidentes

Etapa Tempo Médio (min) Desvio Padrão (min) Ferramentas Utilizadas
Detecção Inicial 6.5 2.1 IDS / NSM
Correlação de Eventos 8.2 2.7 SIEM
Triagem do Analista 12.4 3.3 Console SOC
Aplicação de Bloqueio 5.6 1.4 Firewall
Isolamento de Host 14.1 4.0 VLAN / Switch

Table 3: Impacto da Segmentação de Rede na Propagação de Worm

Cenário de Rede Hosts Comprometidos Tempo de Propagação (min) Taxa de Infecção (%)
Rede Plana (Sem Segmentação) 148 22 74
Segmentação por VLAN 63 38 31
Segmentação + Filtragem ACL 27 54 13

References

ARCSIGHT. ArcSight Enterprise Security Manager: Solution Brief. Cupertino: ArcSight, 2005. Disponível em: https://www.microfocus.com/documentation/arcsight/arcsight-esm-archive. Acesso em: 15 dez. 2006.

AXELSSON, Stefan. The Base-Rate Fallacy and the Difficulty of Intrusion Detection. ACM Transactions on Information and System Security, v. 3, n. 3, p. 186–205, 2000. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/357830.357849. Acesso em: 15 dez. 2006.

BEALE, Jay; BAKER, Andrew; CASWELL, Brian. Snort IDS and IPS Toolkit. Rockland: Syngress, 2004.

BEJTLICH, Richard. The Tao of Network Security Monitoring: Beyond Intrusion Detection. Boston: Addison-Wesley, 2004.

CARRIER, Brian. File System Forensic Analysis. Boston: Addison-Wesley, 2005.

CASEY, Eoghan. Digital Evidence and Computer Crime. 2. ed. San Diego: Academic Press, 2004.

CERT/CC. Malicious HTML Tags Embedded in Client Web Requests. CERT Advisory CA-2000-02. Pittsburgh: CERT/CC, 2000. Disponível em: https://www.cert.org/historical/advisories/CA-2000-02.cfm. Acesso em: 15 dez. 2006.

CERT/CC. W32/Blaster Worm. CERT Advisory CA-2003-20. Pittsburgh: CERT/CC, 2003. Disponível em: https://www.cert.org/historical/advisories/CA-2003-20.cfm. Acesso em: 15 dez. 2006.

CERT/CC. W32/Sasser Worm. CERT Advisory CA-2004-13. Pittsburgh: CERT/CC, 2004. Disponível em: https://www.cert.org/historical/advisories/CA-2004-13.cfm. Acesso em: 15 dez. 2006.

CHESWICK, William R.; BELLOVIN, Steven M.; RUBIN, Aviel D. Firewalls and Internet Security: Repelling the Wily Hacker. 2. ed. Boston: Addison-Wesley, 2003.

DEBAR, Hervé; DACIER, Marc; WESPI, Andreas. Towards a Taxonomy of Intrusion-Detection Systems. Computer Networks, v. 31, n. 8, p. 805–822, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S1389-1286(98)00017-6. Acesso em: 15 dez. 2006.

DERAISON, Renaud. Nessus 2.x Documentation. Tenable Network Security, 2002. Disponível em: https://www.tenable.com/downloads/nessus. Acesso em: 15 dez. 2006.

FRASER, Barbara. Site Security Handbook. RFC 2196. IETF, 1997. Disponível em: https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc2196. Acesso em: 15 dez. 2006.

GROSS, Donald; HARRIS, Carl M. Fundamentals of Queueing Theory. 3. ed. New York: Wiley, 1998.

GRANCE, Tim; KENT, Karen; KIM, Brian. Computer Security Incident Handling Guide. NIST SP 800-61. Gaithersburg: NIST, 2004. Disponível em: https://csrc.nist.gov/publications/detail/sp/800-61/archive/2004-01-01. Acesso em: 15 dez. 2006.

HALFOND, William G. J.; ORSO, Alessandro. AMNESIA: Analysis and Monitoring for Neutralizing SQL-Injection Attacks. In: IEEE/ACM International Conference on Automated Software Engineering (ASE). New York: IEEE, 2005. Disponível em: https://doi.org/10.1145/1101908.1101944. Acesso em: 15 dez. 2006.

HOWARD, John D.; LONGSTAFF, Thomas A. A Common Language for Computer Security Incidents. Technical Report SAND98-8667. Albuquerque: Sandia National Laboratories, 1998. Disponível em: https://prod.sandia.gov/techlib-noauth/access-control.cgi/1998/988667.pdf. Acesso em: 15 dez. 2006.

JULISCH, Klaus. Clustering Intrusion Detection Alarms to Support Root Cause Analysis. ACM Transactions on Information and System Security, v. 6, n. 4, p. 443–471, 2003. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.1145/950191.950192. Acesso em: 15 dez. 2006.

KEPHART, Jeffrey O.; WHITE, Steve R. Directed-Graph Epidemiological Models of Computer Viruses. In: IEEE SYMPOSIUM ON SECURITY AND PRIVACY. Los Alamitos: IEEE, 1991. DOI: https://doi.org/10.1109/SP.1991.130799.

KRAWCZYK, Hugo; BELLARE, Mihir; CANETTI, Ran. HMAC: Keyed-Hashing for Message Authentication. RFC 2104. IETF, 1997. Disponível em: https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc2104. Acesso em: 15 dez. 2006.

LONVICK, Chris. The BSD Syslog Protocol. RFC 3164. Fremont: IETF, 2001. Disponível em: https://www.rfc-editor.org/rfc/rfc3164.

OZMENT, Andy. Bug Trajectories: A Case Study of the Mozilla Firefox Vulnerability Life Cycle. In: USENIX SECURITY SYMPOSIUM, 15., 2006, Berkeley. Proceedings… Berkeley: USENIX Association, 2006. DOI: https://doi.org/10.5555/1267336.1267338.

MITRE. Common Vulnerabilities and Exposures (CVE). 2005. Disponível em: https://cve.mitre.org. Acesso em: 15 dez. 2006.

MOORE, David et al. Inside the Slammer Worm. IEEE Security & Privacy, v. 1, n. 4, p. 33–39, 2003. Disponível em: https://doi.org/10.1109/MSECP.2003.1219056. Acesso em: 15 dez. 2006.

MAYNOR, David; MUDGE. Metasploit Framework: Development and Usage. IEEE Security & Privacy, v. 4, n. 6, p. 86–89, 2006. DOI: https://doi.org/10.1109/MSP.2006.159.

NIST. Secure Hash Standard (SHS). FIPS PUB 180-1. Gaithersburg: NIST, 1995. Disponível em: https://csrc.nist.gov/publications/detail/fips/180/1/final. Acesso em: 15 dez. 2006.

BEHLING, Rainer; et al. Security Information Management: The OSSIM Open Source Approach. In: IFIP INTERNATIONAL FEDERATION FOR INFORMATION PROCESSING – SEC, 2005. Boston: Springer, 2005. DOI: https://doi.org/10.1007/0-387-31147-3_15.

OWASP. The OWASP Guide to Building Secure Web Applications and Web Services, v2.0. 2005. Disponível em: https://owasp.org/www-project-guide/. Acesso em: 15 dez. 2006.

PAXSON, Vern. Bro: A System for Detecting Network Intruders in Real-Time. Computer Networks, v. 31, n. 23–24, p. 2435–2463, 1999. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S1389-1286(99)00112-7. Acesso em: 15 dez. 2006.

PTAČEK, Thomas H.; NEWSHAM, Timothy N. Insertion, Evasion, and Denial of Service: Eluding Network Intrusion Detection. 1998. Disponível em: https://www.secureworks.com/research/papers/ids-evasion. Acesso em: 15 dez. 2006.

RISTIĆ, Ivan. Apache Security. Sebastopol: O’Reilly, 2005.

ROESCH, Martin. Snort: Lightweight Intrusion Detection for Networks. In: USENIX LISA. Berkeley: USENIX, 1999. Disponível em: https://www.usenix.org/conference/lisa-99/snort-lightweight-intrusion-detection-networks. Acesso em: 15 dez. 2006.

RUSSELL, Rusty. Linux 2.4 Packet Filtering HOWTO. 2001. Disponível em: https://www.netfilter.org/documentation/HOWTO//packet-filtering-HOWTO.html. Acesso em: 15 dez. 2006.

SCAMBRAY, Joel; SHEMA, Mike; SIEDZIK, Caleb. Hacking Exposed Web Applications. 2. ed. New York: McGraw-Hill, 2006.

SKOUDIS, Ed; ZELTSER, Lenny. Malware: Fighting Malicious Code. Upper Saddle River: Prentice Hall, 2003.

STANIFORD, Stuart; PAXSON, Vern; WEAVER, Nicholas. How to 0wn the Internet in Your Spare Time. In: USENIX Security Symposium. Berkeley: USENIX, 2002. Disponível em: https://www.usenix.org/legacy/publications/library/proceedings/sec02/staniford.html. Acesso em: 15 dez. 2006.

STONEBURNER, Gary; GOGUEN, Alice; FERINGA, Alexis. Risk Management Guide for Information Technology Systems. NIST SP 800-30. Gaithersburg: NIST, 2002. Disponível em: https://csrc.nist.gov/publications/detail/sp/800-30/final. Acesso em: 15 dez. 2006.

THE HONEYNET PROJECT. Know Your Enemy: Learning about Security Threats. 2. ed. Boston: Addison-Wesley, 2004.

ULLRICH, Johannes. DShield – Distributed Intrusion Detection System. SANS Internet Storm Center, 2001. Disponível em: https://www.dshield.org. Acesso em: 15 dez. 2006.

FYODOR (LYON, Gordon). The Art of Port Scanning. Phrack Magazine, v. 7, n. 51, 1997. Disponível em: http://www.phrack.org/issues/51/11.html. Acesso em: 15 dez. 2006.

NIST. Advanced Encryption Standard (AES). FIPS PUB 197. Gaithersburg: NIST, 2001. Disponível em: https://csrc.nist.gov/publications/detail/fips/197/final. Acesso em: 15 dez. 2006.

MANDIA, Kevin; PROSISE, Chris; PEPE, Matt. Incident Response & Computer Forensics. 2. ed. New York: McGraw-Hill, 2003.

GROSSMAN, Jeremiah. Cross Site Scripting (XSS) FAQ. WhiteHat Security, 2001. Disponível em: https://www.whitehatsec.com/xss/. Acesso em: 15 dez. 2006.