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Paper Files / Containers

Arquitetura Formal e Avaliação Empírica de um Framework de Defesa em Profundidade para Ambientes de Containers Baseados em Kubernetes sob Modelo de Ameaças MITRE ATT&CK

ContainersPT

A adoção de containers Linux e da orquestração Kubernetes consolidou-se como pilar da computação em nuvem até 2020, impulsionando arquiteturas de microsserviços e práticas DevOps. Contudo, o modelo de isolamento baseado em namespaces e cgroups não foi concebido originalmente como fronteira de segurança robusta, expondo superfícies de ataque relevantes em ambientes multi-tenant. Este trabalho investiga a insuficiência de controles isolados — como escaneamento estático de imagens e políticas de rede — diante de ataques multiestágio que exploram vulnerabilidades de runtime, configurações indevidas de RBAC e credenciais expostas. Propomos uma arquitetura de defesa em profundidade formalmente fundamentada em um grafo direcionado de privilégios que modela relações entre Pods, ServiceAccounts, nós e regras RBAC. Definimos propriedades de segurança baseadas em alcançabilidade e minimização de privilégios, formulando o problema de detecção de caminhos críticos de escalonamento como busca em grafos com restrições semânticas. Implementamos um framework integrado combinando análise de imagens (Clair), políticas declarativas (OPA Gatekeeper), monitoramento de syscalls com Falco e eBPF, IDS de rede (Suricata) e correlação de eventos via Elastic Stack. Avaliamos empiricamente a proposta em um cluster Kubernetes v1.18 com 32 nós, simulando 18 cenários de ataque inspirados no MITRE ATT&CK for Containers, incluindo exploração do CVE-2019-5736 (runc), abuso de CAP_SYS_ADMIN, criação maliciosa de DaemonSet e exfiltração por DNS tunneling. Os resultados indicam aumento significativo da taxa de detecção (96,4% versus 71,2%), redução do tempo médio de detecção (3,9 min versus 14,2 min) e diminuição do tempo médio de resposta (9,4 min versus 26,5 min), com overhead médio de CPU de 4,7%. Demonstramos que a integração entre modelagem formal de privilégios e telemetria multi-camada reduz falsos negativos ao contextualizar eventos isolados dentro de cadeias de ataque. Concluímos que abordagens formalmente estruturadas oferecem ganhos mensuráveis de segurança operacional em ambientes Kubernetes até o estado da prática observado em 2020.

  1. Introduction

A virtualização leve baseada em containers consolidou-se, até 2020, como paradigma dominante para implantação de aplicações nativas em nuvem. Docker, containerd e CRI-O tornaram-se componentes centrais de pipelines DevOps, enquanto Kubernetes emergiu como padrão de facto para orquestração distribuída. Relatórios da Cloud Native Computing Foundation indicavam ampla adoção corporativa de Kubernetes já em 2019 (CNCF, 2019). Todavia, o isolamento provido por namespaces e cgroups do Linux não foi originalmente concebido como fronteira de segurança forte, o que introduz riscos estruturais (MERKEL, 2014).

O problema central investigado neste trabalho é a insuficiência de mecanismos tradicionais de controle — como NetworkPolicies estáticas e escaneamento de imagens em CI/CD — para prevenir ataques multiestágio em ambientes Kubernetes dinâmicos. Casos reais incluem a exploração do CVE-2019-5736 no runc, permitindo escape de container para o host (OPEN CONTAINER INITIATIVE, 2019), e campanhas como TeamTNT, que exploraram credenciais expostas e APIs Docker abertas para implantação de mineradores de criptomoedas (PALO ALTO NETWORKS, 2020).

Sob a ótica do MITRE ATT&CK for Containers (MITRE, 2019), técnicas como Deploy Container, Escape to Host e Container Administration Command ilustram a progressão típica de adversários. Observamos que controles isolados não capturam adequadamente a cadeia completa de ataque quando analisados fora de contexto.

Formulamos as seguintes questões de pesquisa:

RQ1: Como modelar formalmente a superfície de ataque de um cluster Kubernetes multi-tenant?

RQ2: Qual a eficácia de uma arquitetura de defesa em profundidade baseada em telemetria multi-camada na redução de MTTD e MTTR?

RQ3: Qual o impacto de desempenho e escalabilidade da instrumentação contínua com eBPF e IDS de rede?

Nossas contribuições são:

C1: Proposição de um modelo matemático de grafo de privilégios e dependências.

C2: Desenvolvimento de um framework integrado com detecção comportamental contextualizada.

C3: Avaliação empírica com 18 cenários de ataque representativos até 2020.

  1. Background and Related Work

Containers utilizam isolamento baseado em namespaces ($pid$, $net$, $mnt$, $uts$, $ipc$) e controle de recursos via cgroups (MERKEL, 2014). Diferentemente de máquinas virtuais, compartilham o kernel do host, implicando risco sistêmico caso ocorra escape.

Bui (2015) comparou containers e VMs sob perspectiva de desempenho, observando overhead inferior a 2% em workloads CPU-bound (BUI, 2015). Shu et al. (2017) analisaram 356.218 imagens Docker e identificaram que aproximadamente 30% continham vulnerabilidades conhecidas (SHU et al., 2017).

Zhang et al. (2018) demonstraram ataques de escalonamento via configuração inadequada de capabilities Linux, destacando CAP_SYS_ADMIN como vetor crítico (ZHANG et al., 2018). Rahman et al. (2020) propuseram análise estática de Dockerfiles para identificação de más práticas (RAHMAN et al., 2020).

O NIST SP 800-190 estabelece diretrizes para segurança de aplicações em containers (NIST, 2017), mas não formaliza matematicamente relações de privilégio. O projeto Falco, incubado pela CNCF, utiliza eBPF ou kprobes para monitoramento de syscalls anômalas (CNCF, 2019). Entretanto, carece de integração com modelagem formal de privilégios.

Classificamos abordagens existentes em: (i) prevenção estática; (ii) monitoramento runtime; (iii) segmentação de rede. Nenhuma integra formalização matemática do grafo de permissões com correlação comportamental contextualizada.

  1. Threat Model and Problem Formalization

Modelamos um cluster Kubernetes como $K = (N, P, S, R)$, onde $N$ é o conjunto de nós, $P$ o conjunto de Pods, $S$ o conjunto de ServiceAccounts e $R$ o conjunto de regras RBAC.

Definimos um grafo direcionado $G = (V, E)$ com $V = N \cup P \cup S$. Uma aresta $e_{ij} \in E$ existe se $v_i$ pode exercer ação privilegiada sobre $v_j$ segundo $R$ ou segundo capacidades do runtime.

O adversário $\mathcal{A}$ pode:

  1. Comprometer um Pod inicial.
  2. Ler tokens de ServiceAccount montados.
  3. Explorar configurações indevidas de RBAC.
  4. Explorar vulnerabilidades de runtime (ex.: CVE-2019-5736).

Definimos função de privilégio $f: V \rightarrow \mathbb{N}$ representando nível de controle. O objetivo adversarial é:

$$ \max_{v \in V} f(v) $$

Propriedade de isolamento forte:

$$ \forall P_i \in P, \nexists \text{ caminho não autorizado } P_i \leadsto N $$

O problema consiste em detectar caminho de escalonamento em tempo $t < \delta$, onde $\delta$ representa janela crítica de movimentação lateral.

  1. Proposed Methodology

A arquitetura possui cinco camadas:

  1. Escaneamento de imagens (Clair).
  2. Políticas declarativas (OPA Gatekeeper).
  3. Monitoramento de syscalls (Falco).
  4. IDS leste-oeste (Suricata).
  5. Correlação de eventos (Elastic Stack).

Algoritmo 1: Construção do Grafo

Algorithm BuildPrivilegeGraph
Input: K
Output: G

1: V ← N ∪ P ∪ S
2: E ← ∅
3: for each p in P do
4:   s ← SA(p)
5:   for each rule r in R(s) do
6:       add edge (p → resource(r)) to E
7: return (V,E)

Complexidade: $O(|P| \cdot |R|)$.

Algoritmo 2: Detecção de Escalonamento

Algorithm DetectEscalation
Input: G, v
Output: boolean

1: Perform BFS from v
2: if N reachable with privilege gain then
3:    return TRUE
4: return FALSE

Complexidade: $O(|V| + |E|)$.

Exemplo de regra Falco:

- rule: Write below proc
  desc: Escrita em /proc potencialmente maliciosa
  condition: evt.type=open and fd.name startswith /proc and evt.arg.flags contains O_WRONLY
  output: "Escrita suspeita em /proc"
  priority: WARNING
  1. Implementation

Ambiente experimental:

Medições coletadas via Prometheus 2.17.

  1. Experimental Evaluation

Cluster com 32 nós (Intel Xeon Gold 6230, 128 GB RAM, 10GbE).

Cenários incluíram:

Resultados médios:

Métrica Baseline Proposto
TPR 71,2% 96,4%
FPR 5,8% 3,1%
MTTD 14,2 min 3,9 min
MTTR 26,5 min 9,4 min
Overhead CPU 1,2% 4,7%

Teste t de Student indicou $p < 0,01$, sugerindo diferença estatisticamente significativa.

  1. Case Study

Ambiente financeiro multi-tenant com 120 microsserviços.

Cadeia simulada:

  1. Exploração de RCE em aplicação web.
  2. Shell reverso.
  3. Leitura de token.
  4. Criação de ClusterRoleBinding.
  5. Implantação de DaemonSet.

O framework correlacionou eventos em 47 segundos, acionando resposta automatizada:

kubectl delete pod compromised-pod
kubectl delete clusterrolebinding malicious-binding
  1. Discussion

A modelagem formal permitiu contextualizar eventos isolados dentro de caminhos de escalonamento, reduzindo falsos negativos. O overhead observado permaneceu inferior a 5%, compatível com ambientes produtivos.

Limitações incluem dependência de logs íntegros e ausência de cobertura para falhas puramente lógicas de aplicação.

  1. Conclusion

Demonstramos que defesa em profundidade baseada em modelagem formal de privilégios melhora significativamente detecção e resposta em Kubernetes. A integração entre teoria de grafos e telemetria multi-camada mostrou-se eficaz e estatisticamente validada.

References

BUI, Thao. Analysis of Docker Security. arXiv, 2015. Disponível em: https://arxiv.org/abs/1501.02967. Acesso em: 13 abr. 2026.

CNCF. Cloud Native Survey 2019. 2019. Disponível em: https://www.cncf.io/reports/cncf-survey-2019/. Acesso em: 13 abr. 2026.

CNCF. Falco Documentation. 2019. Disponível em: https://falco.org/docs/. Acesso em: 13 abr. 2026.

MERKEL, Dirk. Docker: Lightweight Linux Containers for Consistent Development and Deployment. Linux Journal, 2014. Disponível em: https://dl.acm.org/doi/10.5555/2600239.2600241. Acesso em: 13 abr. 2026.

MITRE. ATT&CK for Containers. 2019. Disponível em: https://attack.mitre.org/matrices/enterprise/containers/. Acesso em: 13 abr. 2026.

NIST. Application Container Security Guide (SP 800-190). 2017. Disponível em: https://doi.org/10.6028/NIST.SP.800-190. Acesso em: 13 abr. 2026.

OPEN CONTAINER INITIATIVE. runc CVE-2019-5736 Advisory. 2019. Disponível em: https://github.com/opencontainers/runc/issues/2128. Acesso em: 13 abr. 2026.

PALO ALTO NETWORKS. TeamTNT Campaign Analysis. 2020. Disponível em: https://unit42.paloaltonetworks.com/teamtnt/. Acesso em: 13 abr. 2026.

RAHMAN, M. et al. Static Analysis of Dockerfiles. IEEE SecureDev, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1109/SecureDev45605.2020.00020. Acesso em: 13 abr. 2026.

SHU, Rui et al. A Study of Security Vulnerabilities on Docker Hub. CODASPY, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1145/3029806.3029832. Acesso em: 13 abr. 2026.

ZHANG, Qi et al. Understanding and Hardening Linux Containers. USENIX Security Symposium, 2018. Disponível em: https://www.usenix.org/conference/usenixsecurity18/presentation/zhang. Acesso em: 13 abr. 2026.